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O tempo da psicanálise – Outrora Agora

Considero que, para um psicanalista, a aquisição deste ritmo entre passado e presente, este percurso do outrora-agora, são essenciais para o tempo da psicanálise, e fundamentais para o desempenho da sua função. Faço um breve resumo do que isto me faz pensar.

 A vida de qualquer pessoa é vivida como a continuidade de uma experiência, que é a experiência de estar vivo. E com o andar do tempo, esta continuidade da experiência vai-se enriquecendo com a experiência da continuidade.  

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Quovadis-Covid?

No último webinar da IPA “L’accident Covid au coeur de l´humain” Martin Gauthier, psicanalista Canadiano, afirmava “A psicanálise foi infetada, qual o remédio para a desinfetar?”. Com esta frase pretendia falar das transformações do setting analítico e das repercussões criadas pelas novas respostas de atendimento.

Com esta frase fui chamado por outra, essa sim bíblica, onde, segundo o evangelho apócrifo, S. Pedro fugindo de Roma para não ser crucificado encontra Cristo ressuscitado na Via Ápia e pergunta-lhe “ Quo vadis Domine?” – “para onde vais Senhor? Ao que o Senhor lhe responde: “Roman vado iterum crucifigi“ – “volto a Roma para ser crucificado de novo”. Depois dessa afirmação, Pedro arrependeu-se e regressou a Roma.

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Saberei (con)viver com aqueles que (des)amo? Que impactos estão a surgir nos casais e nas famílias?

Viver e sonhar num mesmo espaço compartilhado física e emocionalmente de um dia para o outro, 24 horas seguidas sem interrupção, é o novo desafio inquietante das famílias que se confrontam numa coabitação forçada: onde o tempo é continuo; onde o tempo de lazer, de convívio e de trabalho se intercomunicam; onde se pode confundir o espaço individual com o coletivo; e onde o íntimo com o privado e ainda o público se combinam…se atropelam…

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1981 aqui ao lado

2019: A cena tem lugar num jardim, na sala de espera de um hospital, na sala de um infantário, na sala de uma habitação. Os intervenientes são adultos e crianças. As crianças têm a idade de bebé. O bebé faz um gesto na direção do adulto, há uma expectativa de que algo aconteça ali entre os dois. Uma agitação dos braços e das pernas, um balançar na cadeira. O adulto está concentrado no écran de um telemóvel, percebe-se que algo de muito forte o chama para ali e que tudo à sua volta se tornou um cenário. Incluindo o bebé. O bebé agita-se. O adulto olha agora a criança, procura um pequeno peluche que lhe coloca na mão e diz “pronto, pronto”, embala um pouco o ovo e regressa ao écran, percebe-se que algo de muito forte o chama para ali e que tudo à sua volta se tornou de novo um cenário. Incluindo o bebé. 

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A psicanálise da criança e do adolescente num mundo em mudança

Cem anos após a sua origem, falar de Psicanálise da Criança e do Adolescente permanece actual e revigorante. O encontro, proporcionado pela Sociedade Britânica de Psicanálise, que teve lugar em Julho em Londres, revelou ser um bom exemplo de que a psicanálise da criança se tornou num método de, antecipadamente, aceder ao que na vida adulta possa revelar-se como sentimentos de vazio ou trauma desestruturante.

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Psicanálise e Prevenção da saúde mental na adolescência

A prevenção é a área dos cuidados que tem como objetivo evitar uma perturbação, retardar o seu aparecimento ou diminuir o impacto negativo que pode ter na vida das pessoas.

O ser humano é o ser que nasce mais dependente do ambiente para sobreviver e a construção de laços significativos com as outras pessoas faz parte integrante do desenvolvimento saudável. Utilizando a linguagem da prevenção, as relações afetivas são fatores de proteção, ou fatores de risco, quando faltam ou falham.

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Observação da Relação Mãe-Bebé na Família: o Método Esther Bick

Em 1948, o método de observação de Esther Bick (1964) foi introduzido na formação de psicoterapeutas e de psicanalistas com o objetivo de desenvolver a função analítica dos mesmos. 

É um modelo tripartido que consiste em: observar uma díada mãe-bebé, durante uma hora, semanalmente, em casa de uma família razoavelmente estruturada; anotar à posteriori tudo o que foi observado fora e dentro de si mesmo; apresentar e discutir o registo no grupo do seminário de supervisão. 

Os seus três vértices assentam no paradigma intersubjetivo, relacional e potencial: na relação mãe-(pai)-bebé na família; na relação observador-família e na relação observador-grupo/supervisor. 

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