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A “Linha Vira(l) Solidariedade” (por alguém que não a integrou)

O AMOR REDIME O MUNDO diziam eles
Mas onde está o mundo senão aqui?
Mário Cesariny*

A estranheza e a violência com que fomos surpreendidos pelo acontecimento “Sars-Cov-2”, revestiu a nossa vida de um sentimento de irrealidade, pela aparente perda de referências, pela descontinuidade, onde nada do que era familiar, quer no tempo quer no espaço, parecia passível de ser reencontrado. Tal como num sonho. Este ambiente com contornos oníricos onde em parte sentimos que passámos a viver, teve entre outros aspetos o “mérito”, tal como os sonhos, de evidenciar aspetos que antes pareciam “ocultos”, desde logo, em relação ao nosso próprio lugar e experiência do nosso lugar individual e coletivo no mundo; à nossa relação com “o que é isto de viver”.

Muito se irá assim continuar a escrever e a representar de todas as formas, por natureza infinitas, que o trabalho do sonho permite, sobre o impacto e a natureza não só da pandemia, como dos fenómenos que a antecederam, acompanharam e dos que a seguirão. Um desses fenómenos a que assistimos foi a criação da “Linha Vira(l) Solidariedade”, pela Sociedade Portuguesa de Psicanálise (SPP).

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“I can’t breathe”

Nestes tempos de pandemia, em que assistimos ao poder de contágio à escala mundial de um vírus, o caso George Floyd, com o seu “i can’t breathe”, saltou igualmente fronteiras e tornou-se um símbolo da luta contra o racismo, injustiça e opressão, que reverberou por todo o mundo. 

O “não consigo respirar” é um estado que os psicanalistas conhecem bem. Desde logo quando os pacientes procuram ajuda por causa de uma crescente ansiedade que oprime o peito e a garganta, tornando a respiração presa, superficial, ofegante.

Mas também quando os pacientes, aos poucos, frequentemente em surdina, começam a falar de situações que oprimem e asfixiam. 

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O que vais lá dizer?

A crise que temos vivido fez nascer várias linhas de atendimento, de que é exemplo a linha criada pela SPP. As pessoas que a procuram são as mais variadas, à semelhança do que acontece com as pessoas que procuram ajuda em serviços públicos de saúde. O que pode uma linha destas oferecer? E o que procuram as pessoas que recorrem ao serviço público? Ou ao privado?

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