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A libertação (psíquica) de Auschwitz

Imersos nesta pandemia cujo “trauma” sanitário estamos certos de que com a ajuda das vacinas vai acabar por passar, mas cujos “traumas” económicos e psíquicos não sabemos que sequelas vão deixar, vale a pena assinalar que no passado dia 27 de Janeiro fez 76 anos da libertação de Auschwitz.

Mas é no consultório que por vezes sou levada a mergulhar no livro “A Bailarina de Auschwitz”, que conta a história (verídica) da destruição e renascimento mental de uma mulher judia (Edith Eger), vítima de Auschwitz, para onde foi levada aos 16 anos, juntamente com os pais e uma irmã. 

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Pandemia e Saúde Mental

Há umas semanas atrás estive presente numa tertúlia sobre a saúde mental na pandemia, organizada pelos chamados “negacionistas”: os que negam a perigosidade do vírus e não aceitam as medidas impostas (máscara, higienização, confinamentos, estado de emergência, etc…), chegando mesmo a formular teorias da conspiração – “A fundação Bill Gates tem ligações com a OMS e com as grandes farmacêuticas que estão a fazer as vacinas; foi feita uma simulação de uma pandemia em Outubro de 2019 com um vírus imaginado que curiosamente era muito parecido com este… Sabe-se lá como terá surgido o vírus… talvez tenha sido fabricado como forma de enriquecimento de alguns…”

Se os entrevistados nesta tertúlia mostravam um pensamento isento e livre, condição necessária a poder pensar de forma rigorosa e verdadeira, já o entrevistador, mais do que procurar compreender de forma sincera e científica as repercussões da pandemia na saúde mental, tentava “puxar a brasa à sua sardinha” referindo uma “histeria coletiva da humanidade”, que se compreendia num “mundo fundamentalmente neurótico”, o que explicava a aceitação dos rituais de higienização pelos obsessivos, e do confinamento pelos fóbicos! 

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A “Linha Vira(l) Solidariedade” (por alguém que não a integrou)

O AMOR REDIME O MUNDO diziam eles
Mas onde está o mundo senão aqui?
Mário Cesariny*

A estranheza e a violência com que fomos surpreendidos pelo acontecimento “Sars-Cov-2”, revestiu a nossa vida de um sentimento de irrealidade, pela aparente perda de referências, pela descontinuidade, onde nada do que era familiar, quer no tempo quer no espaço, parecia passível de ser reencontrado. Tal como num sonho. Este ambiente com contornos oníricos onde em parte sentimos que passámos a viver, teve entre outros aspetos o “mérito”, tal como os sonhos, de evidenciar aspetos que antes pareciam “ocultos”, desde logo, em relação ao nosso próprio lugar e experiência do nosso lugar individual e coletivo no mundo; à nossa relação com “o que é isto de viver”.

Muito se irá assim continuar a escrever e a representar de todas as formas, por natureza infinitas, que o trabalho do sonho permite, sobre o impacto e a natureza não só da pandemia, como dos fenómenos que a antecederam, acompanharam e dos que a seguirão. Um desses fenómenos a que assistimos foi a criação da “Linha Vira(l) Solidariedade”, pela Sociedade Portuguesa de Psicanálise (SPP).

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“I can’t breathe”

Nestes tempos de pandemia, em que assistimos ao poder de contágio à escala mundial de um vírus, o caso George Floyd, com o seu “i can’t breathe”, saltou igualmente fronteiras e tornou-se um símbolo da luta contra o racismo, injustiça e opressão, que reverberou por todo o mundo. 

O “não consigo respirar” é um estado que os psicanalistas conhecem bem. Desde logo quando os pacientes procuram ajuda por causa de uma crescente ansiedade que oprime o peito e a garganta, tornando a respiração presa, superficial, ofegante.

Mas também quando os pacientes, aos poucos, frequentemente em surdina, começam a falar de situações que oprimem e asfixiam. 

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O que vais lá dizer?

A crise que temos vivido fez nascer várias linhas de atendimento, de que é exemplo a linha criada pela SPP. As pessoas que a procuram são as mais variadas, à semelhança do que acontece com as pessoas que procuram ajuda em serviços públicos de saúde. O que pode uma linha destas oferecer? E o que procuram as pessoas que recorrem ao serviço público? Ou ao privado?

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