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Psicodrama Psicanalítico e Técnicas Psico-dramáticas: a psicanálise fora do divã?

Foi no dia 1 deste mês de Abril, há 100 anos atrás, que aconteceu a primeira sessão de Psicodrama de Jacob Levy Moreno, a 1 de Abril de 1921.

No jogo do carretel, Freud (1920) relata como uma criança de 18 meses que ele observou, na ausência da sua mãe, inventara um jogo para elaborar a angústia de a ter perdido. Freud sublinhava a importância da mudança da passividade para a actividade (o protagonismo?) que o jogo propicia.

No júbilo que a criança sentia e mostrava ao ver que afinal o carretel reaparecia de novo, que não estava definitivamente perdido, contactamos com aquelas experiências de reencontro com tudo e com todos que julgávamos dolorosamente perdidos e afinal…não o estão. Estavam apenas fora de vista …na “place where the lost things go”, esse lugar que Mary Poppins vem estabelecer na família das crianças que tinham perdido a mãe. (Shaiman, M., Wittman, S., 2018).

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Um olhar sobre a Psicose

Tendo nascido em Alvalade – um bairro de lisboa – cedo contatei com doentes do Hospital Júlio de Matos, senhores estranhos de aspeto descuidado vagueando pelas ruas. Alguns evocavam em mim temor e sobressalto. Mas este mistério humano da loucura fascinava-me. 

Anos mais tarde integrei uma equipa comunitária que, através de atividades culturais – Teatro, Música, Artes Plásticas, Literatura, Visitas Culturais – procurava apoiar pessoas com um diagnóstico de esquizofrenia, criando contextos que as estimulassem a sentirem-se vivas e a dar sentido às suas vidas. Desde cedo senti que era necessário estar disponível como homem para criar relações com os utentes. Interessar-me pelas suas histórias de vida, respeitar as suas dificuldades, escutar a forma como têm ultrapassado os obstáculos. O olhar que temos face a um sujeito psicótico é de grande importância. A minha experiência tem-me mostrado como é importante termos um olhar direto, não intrusivo, mas disponível e acolhedor. Sem receios. Um olhar que exprima algo benigno. Como dissesse, “Estou disponível e curioso para viajar consigo.”  

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Sem-abrigo: evitemos slogans!

O discurso acerca dos sem-abrigo tende a radicalizar-se à volta do eixo factores individuais vs estruturais. Ou, se quisermos, o que está dentro ou fora do indivíduo.

Por exemplo, podemos ouvir que a problemática sem-abrigo tem a ver com a doença mental e consumos. Mas também podemos ouvir que é sobretudo um problema de pobreza e de falta de casa. 

Esta discussão é importante e tem consequências. Um dos perigos é poder conduzir a uma atribuição errónea de responsabilidade. Por exemplo, tomar como patologia individual, algo que é da ordem da crise colectiva.  Ou vice-versa. 

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Uma psicanalista no Parlamento Europeu

Palavras há que, quando nas nossas mentes são evocadas, abrem acesso a lugares internos à beira de se interceptar e de se significar. 

Para mim Bruxelas rima com janelas! Através delas espreitam: os bombons de Brel, Hergé com o seu Tintim, o cuco que (não) gostava de couves e… a Europa! Sonho de alguns para a convergência do interesse de muitos.

Rumo a Bruxelas, a viagem é tanto acessível quanto aprazível. 

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Casas e Pessoas

Há casas
cuja beleza começa no projecto (…) 

Há casas feitas à medida do homem (…)

Eugénio de Andrade 

A figura humana e a casa são dos primeiros temas que a criança representa nos seus desenhos. O tempo que lhes dedica e a concentração com que o faz revelam a importância que têm na sua vida. As primeiras representações gráficas da casa são por vezes curiosamente humanizadas, as “casas/pessoa”.  Continuar a ler Casas e Pessoas

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Encontros terapêuticos no Cazaquistão 

Em 2013 fui ao Cazaquistão onde participei num curso de psicoterapia psicanalítica, organizado por uma associação local. O curso era frequentado por naturais do Cazaquistão, maioritariamente mulheres. Diversas alunas pediram-me uma consulta individual. Falei em inglês e sempre na companhia de uma tradutora. A própria situação da consulta – terapeuta, paciente e tradutora – criou-me algum desconforto e hesitação. Continuar a ler Encontros terapêuticos no Cazaquistão 

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E quando a psicanálise sai de casa…

No seu comunicado de Bom Ano Novo, Virginia Ungar identificou, como uma das prioridades da administração actual da IPA, a intensificação do contacto e da presença da psicanálise junto da comunidade.

Salientou a importância de os psicanalistas “saírem dos seus consultórios” para que a expansão da psicanálise também resulte em real contribuição para o confronto com problemáticas humanas de especial dificuldade, devastação e complexidade. Continuar a ler E quando a psicanálise sai de casa…

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Os museus como espaços terapêuticos

Durante mais de 10 anos, como psicólogo de uma IPSS na área da saúde mental comunitária – Grupo de Acção Comunitária -, participei em visitas guiadas a museus, acompanhando um grupo de adultos com diagnósticos psiquiátricos de psicose. Desde as primeiras visitas senti que estar num museu podia constituir uma experiência terapêutica para os utentes e para mim próprio.  Continuar a ler Os museus como espaços terapêuticos