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O que foi feito ao direito à nossa privacidade?

Ao ler os BLOGUES DE NATAL DA SPP, nomeadamente os da Ana Marques Lito e de Jorge Câmara fiquei sensibilizada com as mensagens de solidariedade, de esperança numa sociedade mais inclusiva, reforçando a simbologia do renascimento que em cada ano o NATAL representa. Eu por exemplo, que sou agnóstica, voltei a montar o meu PRESÉPIO com delicadas figuras italianas, com um encantador MENINO JESUS comprado em Assis. O Cristianismo traz consigo esta mensagem de renascimento, esperança e boa-vontade, que supera, para mim todos os dogmas e rituais religiosos. Não preciso de missas, nem da virgem, nem de São José, nem sequer de acreditar na Ressurreição, mas a NATIVIDADE impõe-se.

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Arte é o amor que se revela

Há tempos assisti à apresentação de uma tese de doutoramento de  um amigo artista  que abordava entre outros temas a relação da ciência, arte, amor e política. No auditório estavam presentes os arguentes, o candidato e uma assistência de colegas curiosos da solenidade do momento. 

Fez-se a apresentação e um dos arguentes arrasou a apresentação e a utilidade do trabalho para a ciência, numa crueldade sem precedentes.  Os presentes olhavam para o chão não sei se bloqueados pelo murro do que sentiram ou se por um acto colectivo de solene cobardia. Mas afinal o que seria  a verdade cientifica e a mentira? O que seria ciência e  fraude? Freud dizia que há tantas verdades como grãos de sal num saleiro, e que a verdade é relativa, dependendo  do ângulo a partir do qual estivermos a olhar, mas a mentira seria  absoluta. Mentira é mentira. O candidato era mentiroso na apresentação dos seus argumentos ou não  seria a análise do arguente um acto de ataque narcísico e por isso um acto de redutora  mentira?    

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Amar Mundi

Passeando pelas ruas detenho-me no movimento, no ruido e nas luzes, que compõem o cenário da cidade: azáfama, ilusão e pessoas carregadas de embrulhos, que se atropelam e não se olham…

Estamos numa época do ano muito especial: O Natal!
O fim do ano aproxima-se e um Novo está a chegar!
Tempo de família, de reflexão, de interioridade e de balanços de vida! 
Tempo, para alguns, de sonho, de poesia e de luz. 
Tempo, para outros, de trabalho, de (des)alento, de tensão e inquietudes persistentes.
Tempo de (re)Nascimento e de vida com esperança?
Tempo de gratidão e de renovação de amizades?

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Fantasmas em “Três Andares”: outro “andar” a propósito do filme de Nanni Moretti

Uma obra de arte a partir do momento em que é apresentada ao público deixa de pertencer ao seu autor passando a fazer parte de cada de um nós que a vê, ouve e sonha… (ideia “roubada” ao diálogo entre Maria do Carmo Sousa Lima e a pintora Ana Vidigal no último Colóquio da SPP). Embalado pelo nosso Colóquio sobre a criança e a psicanálise, o filme de Nanni Moretti: “Tri Piani”, e o excelente comentário da colega Sandra Pires sobre este mesmo filme, sonhei-o de novo e acrescentarei mais um olhar, ou mais um “andar”. 

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Os enigmas da criatividade

Quando penso em criatividade, associo a originalidade, inovação, autenticidade e construção.
Não creio ser de grande utilidade procurar uma definição de criatividade. É uma faceta humana subjetiva, enigmática e misteriosa. “Criatividade não é um talento. É uma forma de agir.”, disse o ator John Cleese. Acrescentaríamos também uma forma de ser. Ser-se suficientemente capaz de arriscar e “experimentar o espectro completo das experiências emocionais, alegrias, tristezas e também naufrágios.” (Ogden, 2010). Uma liberdade interior para lidar com situações e emoções desconhecidas. 

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Nanni Moretti e o elogio da interioridade em “Três Andares”

Nanni Moretti é um dos mais pungentes realizadores do cinema contemporâneo. Na sua longa filmografia, num registo mais cómico ou sóbrio, figura sempre uma oportunidade de reflexão sobre a interioridade psicológica do humano. Mesmo quando procura retratar movimentos socio-políticos e/ou histórico-culturais, a sua lente nunca deixa de se voltar para o universo afetivo do homem. Interessa-lhe pensar a vida humana, nas suas várias matrizes que se entrelaçam dinamicamente no que afeta o Homem, o (des)constrói na esfera mais íntima e alargada, no psicológico e social, na sua ética e moral.

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Ritmos ou Algoritmos?

No XI Colóquio de Psicanálise e Cultura do Porto, coube-me comentar (*) uma mesa-redonda introduzida por um brevíssimo trecho do filme “Alice” de Tim Burton. 

O tema – A Civilização e os seus (Des)Contentamentos – instalava a priori o sentimento de mal-estar, pois a mente deseja os contentamentos e as harmonias ilusórias da civilização.

Mal-estar. 

Ilusão. 

(Des)Contentamentos.

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Uma Galáxia sem sentido?

People have to change from within
Jane Goodall 1

Quão perplexos ficamos, enquanto membros da espécie humana, perante a ideia de uma galáxia abandonada a uma existência sem sentido?

Acompanhamo-nos das estrelas desde sempre, crescemos enquanto civilização devido à orientação resultante da sua simples permanência no céu. Como uma “mãe suficientemente boa” que continuamente encontramos, apesar de temporários desaparecimentos, num eterno jogo de luz e sombra, dia e noite, ir e voltar – um fort-da que nos proporciona a alegria do reencontro, se tolerada a ausência pela confiança gerada na relação.

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Ler Freud

Freud atingiu um tal estatuto que se arrisca a ser como um daqueles gigantes da literatura (Homero, Virgílio, Camões, Shakespeare,etc), considerados incontornáveis mas que poucos leem diretamente, exceto alguns estudiosos. 

A maioria foi conhecendo Freud indiretamente, pela mão de académicos, sistematizadores, comentadores, críticos, cada qual apresentando uma versão filtrada de acordo com as suas grelhas de análise.

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Complexo de Édipo

A nossa grande escritora Agustina Bessa-Luís descrevia com enorme perspicácia psicológica as suas personagens, e não sei se sabem que era uma senhora culta, com vasta leitura que não se limitava à Literatura, tinha a obra de Freud e leu muitos dos seus textos. Saía-se com comentários e afirmações irónicas e paradoxais que ainda hoje se comentam. Uma delas é esta: “O COMPLEXO DE ÉDIPO é uma espécie de Romance Policial, que torna a Psicanálise interessante “

Eu propus este tema para o Blogue da SPP, mas foi-me pedido um breve comentário para estimular o diálogo entre nós. Aí vai.

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