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Obliquidades fálicas XY

Não sei se se recordam de outro post enviado por Jaime Milheiro intitulado OBLIQUIDADES  X1 X2   onde ele referia as Pequenas Diferenças entre os sexos e até exaltava as qualidades intrínsecas das mulheres ? 

Acho que tem razão, com efeito  as diferenças são pequenas, pois ambos, no seu mundo interior, revelam insegurança e medo na aproximação sexual pois temem ser rejeitados, ser abandonados pelo seu objeto libidinal no envolvimento amoroso. Jaime Milheiro, nesta brincadeira, tende a reparar o pecado que é o Falocentrismo  da Teoria Psicanalítica,  quer em FREUD quer em LACAN, substituindo as marcas cromossómicas dos sexos XX e XY , por X1 e X2. Elimina o Y. Não há OBLIQUIDADES  FÁLICAS XY. ….Que ilusão !

A PSICANÁLISE é uma teoria feita por homens (Freud e Lacan) que enfatizou a diferença anatómica dos sexos, deu poder ao FALUS,  e apresenta  a mulher como ser castrado e com um Super-Eu mal integrado. Criticando-a, aceitava afinal a sociedade patriarcal burguesa,  o sistema de parentesco (Levi-Stauss) e TOTEM E TABU (Freud) e a LEI DO PAI (Lacan). A sociedade organizava-se em função dessa diferença para gerir o Poder (Foucault).  A MULHER não tinha mais que se submeter ao poder do HOMEM  porque ”a biologia era um destino” e  deveria  sustentar a ilusão do poder do homem, tal como faz com o bebé, para os ajudar a crescer e dominar.

Mas a Identidade tem uma outra dimensão – a confirmação simultânea pelo outro, pelo sociedade e cultura. Simone de Beauvoir* teve razão ao afirmar: “Não se nasce mulher, tornamo-nos mulheres !”

Foucault e o Movimento feminista (J.Buttler** e outras filósofas) salientaram a IDENTIDADE DE GÉNERO  e, separando sexo e género, criticaram o falocentrismo da Psicanálise, e defenderam o Género como resultado de uma construção socio-cultural.

J.Milheiro parece desvalorizar e até criticar esta outra dimensão da identidade e, ao elogiar a mulher e salientar  AS PEQUENAS DIFERENÇAS entre os sexos, penso  que  tenta  reparar a culpa dos excessos do Falocentrismo Psicanalítico  e até  se esquece do Y, das OBLIQUIDADES FÁLICAS XY. 

Claro que tem havido excessos no Movimento Feminista , mas a Emancipação da MULHER deve-lhe muito. Luta pela igualdade de Direitos da Mulher e pela equidade de  oportunidades e de representação social.

Mas, no exaspero da flagrante injustiça de que a mulher  foi vítima, algumas feministas fanáticas foram levadas a confundir a IGUALDADE DE DIREITOS com a IGUALDADE DE SEXO ! Todo o fanatismo conduz à falsidade.

Felizmente há diferenças anatómicas e psicológicas que se harmonizam e permitem usufruir o AMOR na subtileza das pequena diferenças que nos fazem humanos.

Por isso escolhi este vôo de CHAGALL sobre a cidade! Bonito, não acham ? Nem os avanços tecnológicos o negam, pois no TURISMO ESPACIAL  que se anuncia voam no espaço casais à procura do orgasmo da imponderabilidade, flutuando dentro da cápsula!

*Beauvoir S. de. Le deuxième sexe. Paris: Gallimard; 1949

**Butler, J (1999). Gender Trouble – Feminism and the Subversion of Identity. Routledge Ed

Imagem: Marc Chagall “Acima da Cidade” (1918)