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O Sentido Figurado de Carlos Farinha

Inaugurou dia 3 de Outubro no Museu do Oriente uma exposição do pintor Carlos Farinha, juntando trabalhos relacionados com Macau e também quadros de grande formato relacionados com algumas cidades – “A Grande Alface”, “Porto Sentido”, “Proença-a-Nova” – e mesmo com o mundo – “My Mapa-Mundi”.

Carlos Farinha é um artista português, que cresceu em França e veio para Portugal aos 15 anos. Ainda hoje permanece no seu sotaque esta herança francesa, conferindo-lhe uma dupla identidade que certamente influencia o seu modo muito particular de representar a experiência humana. Começando por estudar escultura, acaba por se interessar pela performance e sobretudo pela pintura.

Os seus quadros são telas vivas, cheias de movimento, de cor e de emoção, nas quais encontramos sempre novos detalhes que ainda não havíamos visto antes. Como se fossem construídos em camadas, há elementos imediatamente visíveis, há outros elementos que só se reparam após um olhar mais demorado e há ainda elementos escondidos, que podem nunca ser identificados.

Cada quadro tem referências escondidas à história da Arte (e talvez também à própria história do artista, como em “31 de Juillet”) e mistura aspetos simbólicos, emocionais e às vezes surrealistas. Desta forma, encontramos crianças com cara de velhos, corpos humanos com cabeças de animais (ou o contrário), pessoas com cabeças muito grandes, personagens muito pequeninas, num movimento que nos hipnotiza e nos faz rir. O sentido de humor não falta na sua obra, como por exemplo em alguns quadros satíricos que representam determinados aspetos do mundo em que vivemos (“We chat” é um bom exemplo disso, em que uma personagem está sentada numa nuvem de “smiles”, transportada pelo feedback das redes sociais).

Pintar é a sua forma de compreender a sua própria experiência emocional e a experiência do outro. Numa entrevista que lhe fizemos a propósito do tema da próxima conferência Cowap – a Bissexualidade Psíquica -, percebemos como procura entender a experiência das mulheres observando cuidadosamente as suas ações, posturas e vivências. Desta observação, procura representar emoções, anseios, desejos.

No quadro que ilustra este texto, “Maria foi ver o mar”, o artista parte da experiência de uma mulher que, presa pela necessidade de prestar cuidados a um familiar doente, se queixava que nem sequer podia ir ver o mar. No rosto da personagem, vemos o alívio, o prazer, mas também o sofrimento que ela carrega.

A exposição estará patente até dia 10 de novembro. 

Para mais informações, consultar: http://www.museudooriente.pt/3668/sentido-figurado.htm#.XZdN5udKiRs