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Nota de leitura

O “Desenho Infantil – espelho do mundo interno da criança”, obra de Orlando Fialho com prefácio do Professor Didier Houzel, consiste numa investigação que tem por base o desenho da família. 

A primeira parte deste livro, é dedicada à história da evolução do desenho, que tem início no homem pré-histórico ao deixar as suas marcas nas grutas. Como refere o autor, quer no homem pré-histórico quer na criança, estamos perante o que mais tarde, virá a ser o desenho intencional; já sinal de uma enorme evolução, tanto da espécie como do ser humano em si próprio. 

Orlando Fialho, traça a evolução do desenho infantil fazendo referência a vários autores  como  Klein, M. (1968) ao interessar-se pelo inicio da escrita; Di Leo, J. H. (1985) ao considerar que a origem do desenho se inicia com os primeiros riscos; Haag, G. (1996) ao mencionar as formas  em espiral como o traço privilegiado da criança de dois anos e meio; Luquet, G. H. (1991) ao descrever as quatro fases na evolução do desenho da criança; e Widlocher, D. (1993), ao referir que o inicio da intenção representativa  é uma etapa importante  do pensamento simbólico.  Orlando Fialho interessou-se particularmente pelo desenho da família, que é utilizado em consultas terapêuticas e cita vários autores que estudaram profundamente o desenho da família como teste projectivo. 

Através de ilustrações de desenhos da família realizados por crianças no período da latência e por adolescentes,  verifica-se que a realização de cada criança varia de uma vez para a outra, isto é, de um ano para o outro, às vezes de uma hora para a outra, a família desenhada muda, não no sentido de uma imagem da realidade objectiva de uma mudança familiar mas em função da representação interna evocada pela palavra “família” e que Orlando Fialho designa como a expressão do mundo interno dinâmico, que relaciona com a teoria das catástrofes e do caos psíquico.

É precioso e fascinante acompanhar as reflexões de Orlando Fialho, que enriquecem o nosso pensamento e simultaneamente constituem um testemunho   da profundidade e da criatividade do seu pensamento psicanalítico.

Este livro termina com um posfácio da Dr.ª Maria Fernanda Alexandre que faz corresponder o desenho ao sonho, referindo que: “A leitura deste livro fez-nos pensar que o desenho condensa, tal como no sonho, diferentes processos que se interligam, em distintas qualidades de relação de objectos internos, mas que se configuram em constantes movimentos e mudanças”(p.183).