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MãePaiFilho – A televisão culta e adulta

Num Portugal em que democracia e televisão a cores foram contemporâneas, a marca BBC sempre foi sinónimo de qualidade. Nesse tempo do correio escrito e do telefone fixo a dieta televisiva seguia uma prescrição semanal. O mundo mudou muito desde então; l’air du temps traz odores de imediatismo e de urgência, a relação com os écrans desconstruiu os conceitos de público e de privado e a influência entre informação e política tornou-se o assunto. Recentemente a RTP2 passou a série MotherFatherSun, título que aglomera sem espaço para respirar os elementos deste ancestral triângulo. 

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Identidades Psicanalíticas Invisíveis – Notas soltas

Nos passados 22-24 Novembro realizou-se em Lisboa o 25º encontro europeu IPSO, com candidatos de vários países e continentes (Europa, América do Norte, América do Sul, África), reunindo candidatos portugueses da SPP e NPP. Foi ocasião para reflectir sobre as identidades psicanalíticas invisíveis.

A riqueza e diversidade de comunicações torna impossível um resumo. Partilho apenas algumas notas soltas, de uma escuta necessariamente pessoal.

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1981 aqui ao lado

2019: A cena tem lugar num jardim, na sala de espera de um hospital, na sala de um infantário, na sala de uma habitação. Os intervenientes são adultos e crianças. As crianças têm a idade de bebé. O bebé faz um gesto na direção do adulto, há uma expectativa de que algo aconteça ali entre os dois. Uma agitação dos braços e das pernas, um balançar na cadeira. O adulto está concentrado no écran de um telemóvel, percebe-se que algo de muito forte o chama para ali e que tudo à sua volta se tornou um cenário. Incluindo o bebé. O bebé agita-se. O adulto olha agora a criança, procura um pequeno peluche que lhe coloca na mão e diz “pronto, pronto”, embala um pouco o ovo e regressa ao écran, percebe-se que algo de muito forte o chama para ali e que tudo à sua volta se tornou de novo um cenário. Incluindo o bebé. 

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PHOENIX e o Cinema ou a arte de renascer

“O que obtemos ao juntar um doente mental com um sistema que o abandona e o trata como lixo?” 

No filme a narrativa atinge o seu clímax quando Joker dispara no talk show uma pergunta que funciona literalmente como gatilho para nos atingir a todos ferindo-nos de morte.

Numa canção dos anos 70 Roberta Flack dizia que a música lhe lia a alma. Em português a homonomia  referente à palavra “interpretar” coloca psicanálise e artes performativas num plano comum sugerindo a irresistível ligação entre cinema e psicanálise. Desenvolvendo-se num espaço intermédio entre realidade e fantasia, o cinema inquieta-nos, interpela-nos, denuncia-nos. Em vertigem onírica e numa festa dos sentidos, o cinema lê-nos a alma para nos devolver a áreas recônditas da nossa mente numa linguagem geradora de sinuosos paradoxos entre intimidade e exposição, culpa e expiação, destrutividade e reparação.

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De Corpo Presente

No texto A família institucional e fantasmática do analista, o psicanalista italiano Stefano Bolognini descreve com beleza poética como, ao longo dos anos, em seminários e encontros institucionais com colegas, dava por si a recordar-se de momentos da sua infância em que, ao redor de uma mesa comprida “na grande cozinha da casa de campo”, via reunida a sua família alargada (avós, pais, tios, primos, irmãos e vários parentes). Lembra-se de serem encontros “memoráveis e vivos” para cada um dos participantes. Ano após ano, as Jornadas Internas do Instituto Português de Psicanálise são um desses momentos ricos, fecundos e acolhedores de (re)encontro com a nossa família institucional

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“A terceira margem”
 – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra – 
Anozero19

Uma conversa com Carlos Antunes no Mosteiro, numa imensa mesa para pensar com um imenso ortofotomapa , que nos abre para um plano da cidade do tamanho do mundo. Uma história, um caminho e uma identidade de vanguarda, muitas lutas mas sobretudo “The beginning of a memory”. Palavras de um profundo impacto estético que intercetam com a literatura, a filosofia, a intervenção político-social, o urbanismo.

A Bienal de Arte Contemporânea nasce em 2015 no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC),um lugar singular que alterou o paradigma da arte em Portugal.

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 – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra – 
Anozero19
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Open Day

No próximo dia 8 de novembro pelas 18 horas terá lugar o “Open Day” da Sociedade Portuguesa de Psicanálise. Abrem-se as portas da sede, na avenida da República 97, para que todos os que identifiquem em si o desejo de conhecer, aproximar ou abraçar a Psicanálise, possam aí encontrar um espaço de apresentação, diálogo e reflexão sobre a psicanálise e as principais atividades da Sociedade Portuguesa de Psicanálise e os seus Institutos de Lisboa e Porto.

Nesse dia teremos oportunidade de, num tempo que se prevê de agradável convívio, dar a conhecer gratuitamente, de forma breve, mas apelativa e esclarecedora, as raízes do pensamento psicanalítico em Portugal, o seu desenvolvimento e situação atual.

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O amor redime o mundo diziam eles/ mas onde está o mundo senão aqui?

Setembro 2015:  Alan Kurdi, o menino encontrado morto numa praia da Turquia, desperta a nossa consciência adormecida para os que tentam chegar à Europa escapando às guerras, às perseguições e à pobreza. “Se esta imagem não mudar as atitudes da Europa com relação aos refugiados, o que mudará?”, questionava o jornal britânico Independent

Agosto 2017: Omran Daqneesh, o menino de cinco anos sentado no banco de uma ambulância, de olhar atordoado e com o rosto coberto de sangue, ferido num ataque à cidade síria de Aleppo, desperta-nos de novo. 

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O Sentido Figurado de Carlos Farinha

Inaugurou dia 3 de Outubro no Museu do Oriente uma exposição do pintor Carlos Farinha, juntando trabalhos relacionados com Macau e também quadros de grande formato relacionados com algumas cidades – “A Grande Alface”, “Porto Sentido”, “Proença-a-Nova” – e mesmo com o mundo – “My Mapa-Mundi”.

Carlos Farinha é um artista português, que cresceu em França e veio para Portugal aos 15 anos. Ainda hoje permanece no seu sotaque esta herança francesa, conferindo-lhe uma dupla identidade que certamente influencia o seu modo muito particular de representar a experiência humana. Começando por estudar escultura, acaba por se interessar pela performance e sobretudo pela pintura.

Os seus quadros são telas vivas, cheias de movimento, de cor e de emoção, nas quais encontramos sempre novos detalhes que ainda não havíamos visto antes. Como se fossem construídos em camadas, há elementos imediatamente visíveis, há outros elementos que só se reparam após um olhar mais demorado e há ainda elementos escondidos, que podem nunca ser identificados.

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