Isabel Prata Duarte
Setembro
17 de Setembro de 2020
Saúde Mental

"Summer has come and passed
The innocent can never last
Wake me up when September ends"

Billie Joe Armstrong dos "Green Day"

Em setembro, muitas pessoas vivem o fim das férias com tristeza. E mesmo nesta época, em que as férias sofreram o impacto da pandemia, com todas as ansiedades e restrições associadas, isso também aconteceu. 

Quem me falou, em primeiro lugar, desta tristeza foi uma pessoa que não saiu do seu local habitual de vida, portanto não está a regressar, com pena, de lugares fantásticos. O que o entristece, no setembro do recomeço, é a experiência da despedida.

Do que nos despedimos, no final do Verão?

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Liliana Correia de Castro
História para crianças (e não só)
10 de Setembro de 2020
Cultura

Um dos momentos mais divertidos do meu dia é contar histórias aos meus filhos de 2 e 4 anos, pequenos super-heróis à procura de sonhos em tempos de pandemia. Uma destas histórias que me encantou foi “ O coelho que sabia ouvir” de Cori Doerrfeld, finalista do Goodreads Choice Awards. É a história do Tito, um menino que se encontra com um coelho silencioso, que sabe “ouvir” todas as suas palavras e emoções. Com a sua presença silenciosa, o coelho acompanha o Tito na superação da perda até ao reencontro da esperança e da reparação. 

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Maria Teresa Sá
Um Bem de primeira necessidade
1 de Setembro de 2020
Cultura

That is part of the beauty of all literature. You discover that your longings are universal longings, that you're not lonely and isolated from anyone. You belong.

F. Scott Fitzgerald

Preâmbulo 

De entre as medidas restritivas impostas durante o estado de emergência incluiu-se a suspensão do comércio a retalho, com excepção das lojas de bens de primeira necessidade. A ministra considerou os livros como um bem de primeira necessidade e as livrarias puderam permanecer abertas desde que vedado o acesso dos clientes ao seu interior, com venda dos produtos à porta, ao postigo, ou entrega em casa. Considerou também a ministra que não existe o costume de vender livros à porta das livrarias e ainda menos por um postigo. A 4 de Maio,  após 45 dias de estado de emergência, as livrarias reabrem. 

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Rita Marta
A Máscara
30 de Julho de 2020
Atualidade

“A epidemia é um fenómeno social tanto quanto médico” Bernard-Henri Levy (2020)

“When reality is surreal, only fiction can make sense of it” Decameron project, New York Times Magazine (2020)

Era uma vez uma máscara cirúrgica que se sentia desvalorizada por estar confinada nas bocas-narizes dos cirurgiões e dentistas: “Como é possível”, pensava, “que neste mundo cada vez mais globalizado, eu esteja restrita aos médicos, e que as pessoas só me olhem quando estão deitadas na marquesa”? Então, interrogou-se sobre quem a poderia ajudar a espalhar-se no mundo, e lembrou-se dos vírus: aqueles seres insignificantes, que nem sequer pertencem ao mundo dos vivos, mas que descobriram uma maneira extraordinária de utilizarem as células vivas para se multiplicarem. 

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Rita Gameiro
Aquele Abraço
29 de Julho de 2020
Atualidade

Após o golpe de Estado em 1964, o Brasil passou a viver tempos especialmente difíceis. Uma dessa ocasiões particulares deu-se em 1968 com o Ato Institucional nº 5. Promulgado pelo governo militar primava pela aplicação de restrições, nomeadamente no seio do movimento artístico com a censura prévia de música, cinema, teatro e televisão, por subversão moral ou dos bons costumes. 

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Elias Barreto
“I can’t breathe”
27 de Julho de 2020
Atualidade
Saude Mental

Nestes tempos de pandemia, em que assistimos ao poder de contágio à escala mundial de um vírus, o caso George Floyd, com o seu “i can’t breathe”, saltou igualmente fronteiras e tornou-se um símbolo da luta contra o racismo, injustiça e opressão, que reverberou por todo o mundo. 

O “não consigo respirar” é um estado que os psicanalistas conhecem bem. Desde logo quando os pacientes procuram ajuda por causa de uma crescente ansiedade que oprime o peito e a garganta, tornando a respiração presa, superficial, ofegante.

Mas também quando os pacientes, aos poucos, frequentemente em surdina, começam a falar de situações que oprimem e asfixiam. 

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Isabel Prata Duarte
Quarentena ou a descoberta da casa
23 de Julho de 2020
Atualidade

Entrar no trabalho às nove, acabar de trabalhar às nove da noite. Muitos fins de semana ainda a trabalhar ou a fazer atividades associativas. Férias na praia, nas cidades, nas montanhas. Fins de semana em escapadinha, para relaxar.

E de um dia para o outro, a Covid-19 e ordem para ficar em casa. Proteção, segurança. E proximidade, atropelo, desordem, claustrofobia. 

O espaço da casa não está habituado a tanta permanência. Conta com algumas noites, pedaços de dia, conta com o grupo familiar todo junto apenas às vezes. Por isso desorganiza-se, os habitantes também, confundem-se as vozes do teletrabalho, os sapatos espalhados na sala duplicam, os assentos ocupados por computadores ou papéis irritam os que não são seus donos, o empilhamento para criar espaço confunde os papéis de todos, isto não é meu, o que está a fazer nas minhas coisas, vê lá se te incomoda, tenho aqui este livro que também não é meu, que confusão vai por aqui.  A casa que se suja a dobrar, a comida que tem de ser feita em quatro refeições por dia.

E a pouco e pouco, as  descobertas. 

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Rita Gameiro
A capacidade de estar só
20 de Julho de 2020
Atualidade
Saúde Mental

No seu artigo de 1958 Donald Winnicott debruça-se sobre a capacidade de estar só assumindo-a como um dos maiores símbolos de maturidade de desenvolvimento emocional e um dos fenómenos psíquicos mais sofisticados. Esta capacidade Winnicottiana não deve ser confundida, como diz o próprio autor, com a capacidade de isolamento voluntário, experimentado em alguns períodos da vida. Estar só, nesta concepção, implica aceder a uma certa capacidade de estar consigo próprio, independentemente de estar só ou acompanhado, tratando-se de um sentimento vivido na relação com o Eu, ao qual nem sempre é possível aceder, dependendo da constituição de um bom objecto internalizado, mantido vivo no mundo interno de cada um.

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Inês Gomes
Nas entrelinhas dos livros
13 de Julho de 2020
Cultura

A Porta (1), romance da húngara Magda Szabó, narra a estreita relação que se estabelece entre duas mulheres na Hungria dos anos do pós-guerra: Magda, uma jovem escritora, e a sua empregada, Emerence, uma camponesa analfabeta.

Esta relação entre duas mulheres tão desiguais abre-nos espaço de pensamento.
Ler um romance é, quando ele é bom, uma viagem que em muito extravasa a história contada. Dá-nos acesso a áreas não saturadas da mente, permite-nos novos encadeamentos, com sorte, algum insight.

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Elias Barreto
O que vais lá dizer?
6 de Julho de 2020
Atualidade
Saude Mental

A crise que temos vivido fez nascer várias linhas de atendimento, de que é exemplo a linha criada pela SPP. As pessoas que a procuram são as mais variadas, à semelhança do que acontece com as pessoas que procuram ajuda em serviços públicos de saúde. O que pode uma linha destas oferecer? E o que procuram as pessoas que recorrem ao serviço público? Ou ao privado?

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