Publicado em

O que foi feito ao direito à nossa privacidade?

Ao ler os BLOGUES DE NATAL DA SPP, nomeadamente os da Ana Marques Lito e de Jorge Câmara fiquei sensibilizada com as mensagens de solidariedade, de esperança numa sociedade mais inclusiva, reforçando a simbologia do renascimento que em cada ano o NATAL representa. Eu por exemplo, que sou agnóstica, voltei a montar o meu PRESÉPIO com delicadas figuras italianas, com um encantador MENINO JESUS comprado em Assis. O Cristianismo traz consigo esta mensagem de renascimento, esperança e boa-vontade, que supera, para mim todos os dogmas e rituais religiosos. Não preciso de missas, nem da virgem, nem de São José, nem sequer de acreditar na Ressurreição, mas a NATIVIDADE impõe-se.

Continuar a ler O que foi feito ao direito à nossa privacidade?
Publicado em

O Medo ou a Liberdade: uma sociedade Risco-Zero?

Contaram-me a história de uma família que na Consoada se reuniu para celebrar o Natal e que, por precaução, ainda antes do jantar, resolveram todos fazer o auto-teste à Covid. Mas era tal a vontade de se juntarem à volta da mesa que, já iam a meio do bacalhau, quando alguém, numa ida à cozinha, reparou nos testes esquecidos sobre a mesa e constatou que um deles indicava positivo. Preocupado, voltou para junto dos outros e comunicou-lhes o sucedido, mas os objetos de risca vermelha, todos juntinhos, já não permitiam saber a quem pertencia a dupla barrinha. A custo, como manda a prudência e o bom comportamento, todos se levantaram e repetiram o teste, verificando que o maldito positivo pertencia a uma criança, de perfeita saúde e boa disposição. E mais uma vez, ao abrigo da lei interna da prudência, o menino, apesar da sua inocência, foi de castigo acabar o bacalhau para o quarto.

Continuar a ler O Medo ou a Liberdade: uma sociedade Risco-Zero?
Publicado em

Arte é o amor que se revela

Há tempos assisti à apresentação de uma tese de doutoramento de  um amigo artista  que abordava entre outros temas a relação da ciência, arte, amor e política. No auditório estavam presentes os arguentes, o candidato e uma assistência de colegas curiosos da solenidade do momento. 

Fez-se a apresentação e um dos arguentes arrasou a apresentação e a utilidade do trabalho para a ciência, numa crueldade sem precedentes.  Os presentes olhavam para o chão não sei se bloqueados pelo murro do que sentiram ou se por um acto colectivo de solene cobardia. Mas afinal o que seria  a verdade cientifica e a mentira? O que seria ciência e  fraude? Freud dizia que há tantas verdades como grãos de sal num saleiro, e que a verdade é relativa, dependendo  do ângulo a partir do qual estivermos a olhar, mas a mentira seria  absoluta. Mentira é mentira. O candidato era mentiroso na apresentação dos seus argumentos ou não  seria a análise do arguente um acto de ataque narcísico e por isso um acto de redutora  mentira?    

Continuar a ler Arte é o amor que se revela
Publicado em

Amar Mundi

Passeando pelas ruas detenho-me no movimento, no ruido e nas luzes, que compõem o cenário da cidade: azáfama, ilusão e pessoas carregadas de embrulhos, que se atropelam e não se olham…

Estamos numa época do ano muito especial: O Natal!
O fim do ano aproxima-se e um Novo está a chegar!
Tempo de família, de reflexão, de interioridade e de balanços de vida! 
Tempo, para alguns, de sonho, de poesia e de luz. 
Tempo, para outros, de trabalho, de (des)alento, de tensão e inquietudes persistentes.
Tempo de (re)Nascimento e de vida com esperança?
Tempo de gratidão e de renovação de amizades?

Continuar a ler Amar Mundi
Publicado em

Fantasmas em “Três Andares”: outro “andar” a propósito do filme de Nanni Moretti

Uma obra de arte a partir do momento em que é apresentada ao público deixa de pertencer ao seu autor passando a fazer parte de cada de um nós que a vê, ouve e sonha… (ideia “roubada” ao diálogo entre Maria do Carmo Sousa Lima e a pintora Ana Vidigal no último Colóquio da SPP). Embalado pelo nosso Colóquio sobre a criança e a psicanálise, o filme de Nanni Moretti: “Tri Piani”, e o excelente comentário da colega Sandra Pires sobre este mesmo filme, sonhei-o de novo e acrescentarei mais um olhar, ou mais um “andar”. 

Continuar a ler Fantasmas em “Três Andares”: outro “andar” a propósito do filme de Nanni Moretti
Publicado em

Os enigmas da criatividade

Quando penso em criatividade, associo a originalidade, inovação, autenticidade e construção.
Não creio ser de grande utilidade procurar uma definição de criatividade. É uma faceta humana subjetiva, enigmática e misteriosa. “Criatividade não é um talento. É uma forma de agir.”, disse o ator John Cleese. Acrescentaríamos também uma forma de ser. Ser-se suficientemente capaz de arriscar e “experimentar o espectro completo das experiências emocionais, alegrias, tristezas e também naufrágios.” (Ogden, 2010). Uma liberdade interior para lidar com situações e emoções desconhecidas. 

Continuar a ler Os enigmas da criatividade
Publicado em

Nanni Moretti e o elogio da interioridade em “Três Andares”

Nanni Moretti é um dos mais pungentes realizadores do cinema contemporâneo. Na sua longa filmografia, num registo mais cómico ou sóbrio, figura sempre uma oportunidade de reflexão sobre a interioridade psicológica do humano. Mesmo quando procura retratar movimentos socio-políticos e/ou histórico-culturais, a sua lente nunca deixa de se voltar para o universo afetivo do homem. Interessa-lhe pensar a vida humana, nas suas várias matrizes que se entrelaçam dinamicamente no que afeta o Homem, o (des)constrói na esfera mais íntima e alargada, no psicológico e social, na sua ética e moral.

Continuar a ler Nanni Moretti e o elogio da interioridade em “Três Andares”
Publicado em

Ritmos ou Algoritmos?

No XI Colóquio de Psicanálise e Cultura do Porto, coube-me comentar (*) uma mesa-redonda introduzida por um brevíssimo trecho do filme “Alice” de Tim Burton. 

O tema – A Civilização e os seus (Des)Contentamentos – instalava a priori o sentimento de mal-estar, pois a mente deseja os contentamentos e as harmonias ilusórias da civilização.

Mal-estar. 

Ilusão. 

(Des)Contentamentos.

Continuar a ler Ritmos ou Algoritmos?
Publicado em

Obliquidades fálicas XY

Não sei se se recordam de outro post enviado por Jaime Milheiro intitulado OBLIQUIDADES  X1 X2   onde ele referia as Pequenas Diferenças entre os sexos e até exaltava as qualidades intrínsecas das mulheres ? 

Acho que tem razão, com efeito  as diferenças são pequenas, pois ambos, no seu mundo interior, revelam insegurança e medo na aproximação sexual pois temem ser rejeitados, ser abandonados pelo seu objeto libidinal no envolvimento amoroso. Jaime Milheiro, nesta brincadeira, tende a reparar o pecado que é o Falocentrismo  da Teoria Psicanalítica,  quer em FREUD quer em LACAN, substituindo as marcas cromossómicas dos sexos XX e XY , por X1 e X2. Elimina o Y. Não há OBLIQUIDADES  FÁLICAS XY. ….Que ilusão !

Continuar a ler Obliquidades fálicas XY
Publicado em

Uma Galáxia sem sentido?

People have to change from within
Jane Goodall 1

Quão perplexos ficamos, enquanto membros da espécie humana, perante a ideia de uma galáxia abandonada a uma existência sem sentido?

Acompanhamo-nos das estrelas desde sempre, crescemos enquanto civilização devido à orientação resultante da sua simples permanência no céu. Como uma “mãe suficientemente boa” que continuamente encontramos, apesar de temporários desaparecimentos, num eterno jogo de luz e sombra, dia e noite, ir e voltar – um fort-da que nos proporciona a alegria do reencontro, se tolerada a ausência pela confiança gerada na relação.

Continuar a ler Uma Galáxia sem sentido?