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Post-it: BRINCAR

A criança não tem à sua disposição a linguagem como o adulto, é através do brincar que ela pode por um lado, expressar as suas angústias e por outro lado, expandir a sua criatividade. 

No desenvolvimento da criança o brincar precede o desenho e o discurso, mesmo se o brincar é acompanhado de vocalizações. Uma criança que não brinca está doente e pode evoluir para situações em que não consegue fazer amigos, quer ser o centro das atenções pelo desejo incessante de se sentir interessante, reage com raiva, é tirânica porque quer que todos os seus desejos sejam realizados, etc. 

Diz-nos Donald Winnicott (1971): “Se a criança não pode brincar, é preciso fazer qualquer coisa para que essa criança possa começar a brincar”.

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Venezuela

Ao contrário do que a geografia nos ensina, a Venezuela é uma ilha. O que poderia ser uma metáfora torna-se uma dura realidade, quando tentamos compreender o seu drama humanitário e a sua crise constitucional. Não deixa de ser uma cruel ironia que o berço do realismo mágico, se tenha transformado na actualidade concreta da sobrevivência. 

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“Por isso não provoque, é COR DE ROSA CHOQUE!” Rita Lee

8 de Março de 2019 foi um dia histórico! Em Portugal, nunca tantas pessoas se reuniram sob a égide do feminismo. Mulheres, homens, crianças, pessoas transgénero cantaram em uníssono: “deixa passar, deixa passar, sou feminista e o mundo eu vou mudar“. 

Numa cidade ocupada por uma maré de gente sem constrangimento de se nomear feminista, não nos sentíamos só mulheres, só mães, nem ou só psicanalistas, mas cientes de que não temos apenas uma identidade e que podemos marcar presença em diferentes espaços, transitar por entre comunidades e engajarmo-nos num movimento plural, simbólico e simultaneamente intrínseco e coeso.

Freud pergunta-se: “O que quer a mulher?”

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O Congresso de Psicanalistas de Língua Francesa

O CPLF (Congresso de Psicanalistas de Língua francesa) foi criado e é gerido pela Sociedade Psicanalítica de Paris. Este congresso dirige-se aos membros das sociedades componentes belga (SBP), canadiana (SCP), espanholas (SPE e SPM), francesas (APF e SPP), grega (HPS), israelita (SPIs), italianas (SPI e AIP), Portuguesas (SPP e NPP) e suíça (SSP), como a outros analistas das sociedades componentes da Associação Psicanalítica Internacional (IPA) e aos analistas em formação nos institutos destas sociedades. Continuar a ler O Congresso de Psicanalistas de Língua Francesa

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“Os olhos dos pobres”

Gilles Deleuze (1992) afirma que as questões com que a psicanálise se defronta são inevitavelmente políticas mesmo as que ocorrem no seio da família ou no interior do sujeito. Como seremos afetados enquanto cidadãos e psicanalistas pelos movimentos sociopolíticos onde grassa a intolerância da subjetividade e do esmagamento da alteridade? Continuar a ler “Os olhos dos pobres”

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Uma psicanalista no Parlamento Europeu

Palavras há que, quando nas nossas mentes são evocadas, abrem acesso a lugares internos à beira de se interceptar e de se significar. 

Para mim Bruxelas rima com janelas! Através delas espreitam: os bombons de Brel, Hergé com o seu Tintim, o cuco que (não) gostava de couves e… a Europa! Sonho de alguns para a convergência do interesse de muitos.

Rumo a Bruxelas, a viagem é tanto acessível quanto aprazível. 

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O Caminho para a Psicanálise

Recentemente terminámos a passagem pela Direção do Instituto de Psicanálise. Nessas funções, uma das nossas missões foi fazer primeiras entrevistas a pessoas que procuravam o Instituto na sua vertente clínica. Foi uma tarefa que nos suscitou bastantes questões, entre elas as que dizem respeito aos caminhos possíveis para iniciar uma análise e ao papel das primeiras entrevistas nesse caminho. Continuar a ler O Caminho para a Psicanálise

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A Escuta do(s) Corpo(s)

Sim: Existo Dentro do Meu Corpo

“Sim: existo dentro do meu corpo. 
Não trago o sol nem a lua na algibeira. 
Não quero conquistar mundos porque dormi mal, 
Nem almoçar a terra por causa do estômago. 
Indiferente? 
Não: natural da terra, que se der um salto, está em falso, 
Um momento no ar que não é para nós, 
E só contente quando os pés lhe batem outra vez na terra, 
Traz! na realidade que não falta!”
 

Poemas Inconjuntos”. Poemas Completos de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa, Lisboa: Presença, 1994.

A convite, apresentei, no passado dia 26 de janeiro, um caso clínico a Fernando Orduz, no II Encontro de Candidatos da IPSO, “O Corpo Psicanalítico- Teoria, Técnica e Prática”.

Conheci-o no Congresso “Modificações no Corpo” em 2017 e, desde então, sempre que o via/ouvia associava-o imediatamente a uma sensação de movimento e de liberdade.

Questionava-me como ele seria em contexto de supervisão. Que postura adoptaria? Que visões traria sobre um dos pilares fundamentais da formação psicanalítica, introduzida por Abraham, Eitingon e Simmel no Instituto de Berlim na década de 20?

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