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Nota de leitura

O “Desenho Infantil – espelho do mundo interno da criança”, obra de Orlando Fialho com prefácio do Professor Didier Houzel, consiste numa investigação que tem por base o desenho da família. 

A primeira parte deste livro, é dedicada à história da evolução do desenho, que tem início no homem pré-histórico ao deixar as suas marcas nas grutas. Como refere o autor, quer no homem pré-histórico quer na criança, estamos perante o que mais tarde, virá a ser o desenho intencional; já sinal de uma enorme evolução, tanto da espécie como do ser humano em si próprio. 

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A psicanálise da criança e do adolescente num mundo em mudança

Cem anos após a sua origem, falar de Psicanálise da Criança e do Adolescente permanece actual e revigorante. O encontro, proporcionado pela Sociedade Britânica de Psicanálise, que teve lugar em Julho em Londres, revelou ser um bom exemplo de que a psicanálise da criança se tornou num método de, antecipadamente, aceder ao que na vida adulta possa revelar-se como sentimentos de vazio ou trauma desestruturante.

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Dor e Glória: as Catacumbas de Almodóvar

Em Dor e Glória, Pedro Almodóvar narra-nos a história (de cariz auto-biográfico) de Salvador Mallo, um realizador de cinema em plena retirada depressiva. Jovem promissor, sobredotado, Salvador faz um percurso que o leva ao reconhecimento, encontrando-se, no momento presente do filme, preso à dor / sofrimento, no seu sentido mais amplo.

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Psicanálise e Prevenção da saúde mental na adolescência

A prevenção é a área dos cuidados que tem como objetivo evitar uma perturbação, retardar o seu aparecimento ou diminuir o impacto negativo que pode ter na vida das pessoas.

O ser humano é o ser que nasce mais dependente do ambiente para sobreviver e a construção de laços significativos com as outras pessoas faz parte integrante do desenvolvimento saudável. Utilizando a linguagem da prevenção, as relações afetivas são fatores de proteção, ou fatores de risco, quando faltam ou falham.

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A polissemia do feminino: “Paula Rego – Histórias e Segredos”

Paula Rego (PR) foi a mulher-artista escolhida como âncora e simultaneamente gatilho para uma mesa no Congresso da IPA sobre o Feminino, em Londres, em Julho de 2019. Será visualizado o documentário realizado pelo seu filho Nick Willing, cujo título “histórias e segredos”, condensa a mestria genial de PR ao desenhar/pintar histórias que revelam/escondem segredos. E sabendo que todas as histórias contém segredos e qualquer narrativa é uma ficção, os seus quadros mostram espantosas e inquietantes “narrativas figuradas” do feminino.

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Je t’invite chez moi

Paris recebeu-nos no 79º Congresso de Psicanálise de Língua Francesa subordinado ao tema da bissexualidade psíquica, sexualidades e géneros. Trata-se de um congresso organizado pela SPP (Société Psychanalytique de Paris) e APF ( Association Psychanalytique de France) com participação das várias sociedades que compõem a CPLF. 

O congresso centra-se na apresentação e discussão de dois “rapports”: “La bisexualité, l’inceste et la mort” realizado por François Richard (SPP) e “Ombres et lumières de la bisexualité” realizado por Jean-Michel Levy. Estes foram objecto de estudo prévio e reflexão nas várias sociedades. Ainda, em espaço de atelier, é relançada a discussão dos mesmos em pequeno grupo. 

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Observação da Relação Mãe-Bebé na Família: o Método Esther Bick

Em 1948, o método de observação de Esther Bick (1964) foi introduzido na formação de psicoterapeutas e de psicanalistas com o objetivo de desenvolver a função analítica dos mesmos. 

É um modelo tripartido que consiste em: observar uma díada mãe-bebé, durante uma hora, semanalmente, em casa de uma família razoavelmente estruturada; anotar à posteriori tudo o que foi observado fora e dentro de si mesmo; apresentar e discutir o registo no grupo do seminário de supervisão. 

Os seus três vértices assentam no paradigma intersubjetivo, relacional e potencial: na relação mãe-(pai)-bebé na família; na relação observador-família e na relação observador-grupo/supervisor. 

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After life

“After Life” (Netflix, 6 episódios), por Ricky Gervais, aborda a dor e a alegria, a esperança, a fraqueza tornada força, e o poder reparador e transformador da relação com o outro. Questiona, de forma brutal, qual o lugar do humano. 

“Vida depois da Morte” fala da ressuscitação emocional de um homem (Tony) em depressão após a morte da sua mulher com cancro, da sua dor intolerável, e do morrer por dentro… com humor desconcertante.

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Cowap – O corpo feminino da Psicanálise

O Women and Psychoanalysis Comitee (COWAP) faz parte dos comités da IPA e é um dos mais antigos e mais dinâmicos. Criado em 1998 com o intuito de explorar os temas ligados às mulheres, em 2001 ampliou o seu campo, estendendo-se a todos os aspetos do masculino, do feminino e da relação entre eles.

O grupo procura não só um questionamento e elaboração de alguns pontos da teoria psicanalítica e sua consequente revisão e aplicação na prática clínica, mas também a sua aplicação no corpo social.

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Finalmente a intuição sai à rua

Quando vamos investigar o conceito de intuição na literatura psicanalítica rapidamente nos encontramos no deserto. Isto é, Freud (1933) exclui a intuição da sua metapsicologia, referindo: “Do ponto de vista do método, a filosofia afasta-se híper-estimando o valor cognitivo das nossas operações lógicas, admitindo outras fontes de conhecimento, tais como por exemplo a intuição”. Mas Freud não excluiu a intuição do seu modo de pensar referindo em “Psicanálise e teoria da libido” (1923) que o médico analista se comporta de maneira mais apropriada se ele se abandona a ele próprio,   nada quer fixar na sua memória e  capta o inconsciente do paciente com o seu próprio inconsciente. 

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