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Nanni Moretti e o elogio da interioridade em “Três Andares”

Nanni Moretti é um dos mais pungentes realizadores do cinema contemporâneo. Na sua longa filmografia, num registo mais cómico ou sóbrio, figura sempre uma oportunidade de reflexão sobre a interioridade psicológica do humano. Mesmo quando procura retratar movimentos socio-políticos e/ou histórico-culturais, a sua lente nunca deixa de se voltar para o universo afetivo do homem. Interessa-lhe pensar a vida humana, nas suas várias matrizes que se entrelaçam dinamicamente no que afeta o Homem, o (des)constrói na esfera mais íntima e alargada, no psicológico e social, na sua ética e moral.

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Ritmos ou Algoritmos?

No XI Colóquio de Psicanálise e Cultura do Porto, coube-me comentar (*) uma mesa-redonda introduzida por um brevíssimo trecho do filme “Alice” de Tim Burton. 

O tema – A Civilização e os seus (Des)Contentamentos – instalava a priori o sentimento de mal-estar, pois a mente deseja os contentamentos e as harmonias ilusórias da civilização.

Mal-estar. 

Ilusão. 

(Des)Contentamentos.

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Lançamento da 15º edição da Psychoanalysis.today

Em sua décima quinta edição, Psychoanalysis.today estuda os laços existentes entre linguagem e inconsciente. A linguagem permite ao ser humano exprimir seu pensamento e se comunicar por meio de um sistema de signos convencionais que constituem uma língua. Língua materna e línguas estrangeiras que questionam o próprio formato desta revista de psicanálise, publicada em cinco idiomas. A tradução permite a passagem de uma língua para outra, que são chamadas língua fonte ou língua de partida e língua alvo ou língua de chegada. Ela nem sempre consegue restituir o que permanece camuflado em uma linguagem e transmitir sua intensidade. Se isso acontece dessa forma em toda tradução, na dos textos psicanalíticos o choque é ainda maior, pelo encontro da matéria linguística com o inconsciente, com a ‘linguagem do infantil’. Aliás, linguagem da infância ou linguagem infantil? Uma língua nos perpassa inconscientemente. E é na transferência que o analista reconhece a força da língua, a potência da nominação, os fragmentos da língua primeira, os efeitos de deslocamentos…

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Obliquidades fálicas XY

Não sei se se recordam de outro post enviado por Jaime Milheiro intitulado OBLIQUIDADES  X1 X2   onde ele referia as Pequenas Diferenças entre os sexos e até exaltava as qualidades intrínsecas das mulheres ? 

Acho que tem razão, com efeito  as diferenças são pequenas, pois ambos, no seu mundo interior, revelam insegurança e medo na aproximação sexual pois temem ser rejeitados, ser abandonados pelo seu objeto libidinal no envolvimento amoroso. Jaime Milheiro, nesta brincadeira, tende a reparar o pecado que é o Falocentrismo  da Teoria Psicanalítica,  quer em FREUD quer em LACAN, substituindo as marcas cromossómicas dos sexos XX e XY , por X1 e X2. Elimina o Y. Não há OBLIQUIDADES  FÁLICAS XY. ….Que ilusão !

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Uma Galáxia sem sentido?

People have to change from within
Jane Goodall 1

Quão perplexos ficamos, enquanto membros da espécie humana, perante a ideia de uma galáxia abandonada a uma existência sem sentido?

Acompanhamo-nos das estrelas desde sempre, crescemos enquanto civilização devido à orientação resultante da sua simples permanência no céu. Como uma “mãe suficientemente boa” que continuamente encontramos, apesar de temporários desaparecimentos, num eterno jogo de luz e sombra, dia e noite, ir e voltar – um fort-da que nos proporciona a alegria do reencontro, se tolerada a ausência pela confiança gerada na relação.

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