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Selfie e a multiplicidade de espelhos

“A face não tem profundidade nem planos mais baixos. É, precisamente, lisa. Carece de interioridade. Face significa ‘fachada’ (do latim facies)” 
Byung-Chul Han 

Aquilo que distingue um objeto tridimensional de um bidimensional é a sua possibilidade de ser olhado de diferentes ângulos. Também uma das maiores riquezas do trabalho psicanalítico é o permitir olhar questões internas de diferentes perspectivas, conferindo tridimensionalidade e profundidade ao pensamento.

A propósito do recente post de Inês Gomes, gostaria de colocar aqui um outro olhar sobre o fenómeno das Selfies, aproveitando para lançar o desafio para que o nosso Blog, espaço de reflexão da SPP, se torne também um espaço de debate e de diversidade de olhares.

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Selfie

Observo-a.
É uma rapariga bonita, os seus olhos sobressaem no rosto que parece esculpido a cinze, são grandes os olhos, com pestanas compridas, torneados por umas sobrancelhas que bem podiam ter sido desenhadas. Os cabelos compridos, ondulados, bem cuidados, são escuros num contraste que resulta muito agradável com a sua pele branca.

Numa postura que sinto algo ingénua e completamente despreocupada olha a sua própria imagem no ecrã do seu smartphone e vai fazendo com a câmara várias capturas.

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Ler Freud

Freud atingiu um tal estatuto que se arrisca a ser como um daqueles gigantes da literatura (Homero, Virgílio, Camões, Shakespeare,etc), considerados incontornáveis mas que poucos leem diretamente, exceto alguns estudiosos. 

A maioria foi conhecendo Freud indiretamente, pela mão de académicos, sistematizadores, comentadores, críticos, cada qual apresentando uma versão filtrada de acordo com as suas grelhas de análise.

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