Publicado em

O quarto pilar da formação analítica

Ser analista em formação em tempos de pandemia é um desafio.

Iniciei o meu percurso analítico como candidata da Sociedade Portuguesa de Psicanálise (SPP) ainda em modo presencial durante o meu primeiro ano. No decurso do meu percurso instalou-se a pandemia e a interrupção dos seminários presenciais e a interrupção das sessões em divã. Rapidamente e felizmente, a IPA (International Psychoanalytical Association) e a SPP se organizaram, permitindo a continuidade da formação analítica, das sessões clínicas e das supervisões. Nesta fase, mais do que em qualquer outra, pude vivenciar e “sentir na pele” a importância do que Stefano Bolognini denomina de quarto pilar da formação analítica.

Continuar a ler O quarto pilar da formação analítica
Publicado em

Complexo de Édipo

A nossa grande escritora Agustina Bessa-Luís descrevia com enorme perspicácia psicológica as suas personagens, e não sei se sabem que era uma senhora culta, com vasta leitura que não se limitava à Literatura, tinha a obra de Freud e leu muitos dos seus textos. Saía-se com comentários e afirmações irónicas e paradoxais que ainda hoje se comentam. Uma delas é esta: “O COMPLEXO DE ÉDIPO é uma espécie de Romance Policial, que torna a Psicanálise interessante “

Eu propus este tema para o Blogue da SPP, mas foi-me pedido um breve comentário para estimular o diálogo entre nós. Aí vai.

Continuar a ler Complexo de Édipo
Publicado em

Amor, Ódio & Redenção

Corpus Christi, A Redenção (Boze Cialo, Polónia – 2019), de Jan Komasa, narra a história de Daniel, um jovem que cumpre pena num centro de detenção para menores, aspirando a ingressar no seminário após resolvidas as suas contas com a justiça. O projecto de abraçar a vida eclesiástica vê-se, porém, liminarmente barrado, em virtude do cadastro do protagonista – a sentença fora decretada na sequência da participação num assassinato. 

Continuar a ler Amor, Ódio & Redenção
Publicado em

Como uma madeleine de Proust

Os dias de Setembro e de Outubro estão sempre impregnados de um sabor muito particular, como uma madeleine de Proust. Ecoam certamente num tempo de infância e adolescência e nos sentimentos que lhe estão associados, como reacções de aniversário de que nos fala Bruno Bettelheim, esses registos guardados na nossa memória afectiva inconsciente, que nos revisitam com dia e hora marcados.  

O tempo do regresso às aulas. Recomeçar, começar de novo.

Continuar a ler Como uma madeleine de Proust
Publicado em

Teresa Ferreira – Com os Deuses dentro

Numa entrevista, Eduardo Galeano disse faltar ao mundo Vitamina E, de Entusiasmo, acrescentando que o seu significado etimológico é ter os deuses dentro (enthousiasmos<en+theos).

Passaram 20 anos da súbita e prematuríssima partida de Teresa Ferreira, aos 62 anos, no dia 18 de Agosto de 2001. Arrancada, no auge da sua plenitude profissional, a muitos que com ela conviveram, aprenderam, trabalharam, refletiram. Eclipsada da vida de muitos que com ela estabeleceram uma relação de verdadeira reciprocidade afetiva. A palavra Entusiasmo sintetiza, como nenhuma outra, a vitalidade e a paixão colocada em tudo o que fazia. No plano profissional, tanto como pedopsiquiatra quanto como psicanalista, Teresa tinha definitivamente os deuses dentro.

Continuar a ler Teresa Ferreira – Com os Deuses dentro