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Adolescer confinado

Isto tudo já acabava!

“Já é difícil ser adolescente, quanto mais agora sem poder fazer nada”  – dizia-me uma jovem de 16 anos que poderia chamar-se Aurora.

Dentro das paredes das casas, redutos seguros em tempos estranhos, as famílias tentaram organizar-se o melhor que conseguiram. Cansados da pandemia (todos estamos), suspenderam a respiração, como se mergulhassem em águas profundas e aguardassem o tempo de voltar à superfície. Mas alguns já lutam com a falta de ar.
E os adolescentes fervilham em fogo lento.

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Um sorriso abre-se então num verão antigo e dura

À minha frente uma jovem empurra um carrinho de bebé. Vejo que não traz máscara e fico muito feliz pela bebé. Sorrimos. Por respeito para com os bebés nunca os cumprimento de máscara. A mãe autoriza-me a cumprimentar sem máscara a sua filha. Do seu carrinho-ovo a menina oferece-me um sorriso que é pés, braços e corpo inteiro e ficamos por ali numa conversinha de gente. A mãe entra na conversa, falo do sorriso social e ela diz que também já reparou. Como aprendi com João dos Santos, para comunicarmos com uma criança é preciso que nos coloquemos num lugar de onde ela nos possa ver inteiros. Um bebé não pode ver um adulto por detrás de uma máscara. Nem a si próprio, nas expressões entrelaçadas com o Outro. 

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