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Consignação IRS 2021 – SPP

A Sociedade Portuguesa de Psicanálise, enquanto Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), solicitou anteriormente à Autoridade Tributária e Aduaneira, mais concretamente à Direção de Serviços do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares – IRS, benefício fiscal consignado no art.º 32 da Lei nº16/2001. Esta solicitação foi-lhe concedida.

Neste sentido, convidamos todos, que se assim o desejarem, ao preencher a vossa declaração de IRS, no Quandro 11 do anexo “Rosto” para preenchimento do Modelo 3 ou na área de “Pré Liquidação” para quem opte pelo IRS Automático, a identificar o nome da instituição como sendo a Sociedade Portuguesa de Psicanálise, cujo número de identificação de pessoa colectiva (NIPC) é: 501 169 431. A mesma não lhes trará custos, permitindo que 0,5% do imposto reverta a favor da nossa IPSS – Sociedade Portuguesa de Psicanálise.

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Fogachos Pandémico 2 – Desafios à Psicanálise e à sua criatividade

Quando há poucos dias vi na televisão um documentário sobre as aterradoras desumanidades cometidas pelo Estado Islâmico no Iraque, senti que a pandemia e os seus efeitos não se comparavam com aquele terror. A pandemia tem provocado um grande sofrimento, mas quando se assiste a crimes bárbaros feitos por homens sobre os seus semelhantes, o impacto é brutal. Há uma maldade sem qualquer tipo de piedade e um horror inimaginável nas vítimas. 

Mas talvez esta comparação seja uma defesa que procure suavizar os efeitos da pandemia, que também nos tem perseguido e criado cenários de grande temor. Pandemia que introduziu uma ameaça de morte e de ruína por todo o mundo, deixando-nos muitas vezes “sem palavras” para descrevermos o que sentimos.  Fazer uma psicanálise pode ajudar-nos a criar essas palavras, dando forma e nome a “estados de impensabilidade” (L. Nosek), ou à possibilidade de colocar em gesto a realidade interior. Uma psicanálise deve ser uma experiência emocional partilhada e transformadora. A. Ionescu (1998), diz-nos que somos seres capazes de criar um saber da própria existência, um saber de si existindo, que não tem nada a ver com um saber intelectual,” um saber que é ser.”  

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O meu nome é Corona

O flagelo não está à medida do homem, dizem então que o flagelo é irreal, é um pesadelo que vai passar. Mas ele demora em passar e, de pesadelo em pesadelo, são os homens que passam (…)”

Albert Camus (1947). A Peste

O meu nome é Corona e a minha chegada não é bem-vinda. Não estou aqui por vontade própria, não tenho vontade, quanto mais própria. Desconheço quem trespassou a minha morada, mas vou esclarecer alguns pontos contigo, humano. Fui convidado pela tua insensatez. Sei qual o teu maior desejo: fechar a porta que me permite entrar, sem ser convidado, e possuir-te literalmente por dentro. Sou simples e há quem diga que não sou um ser vivo, mas o que é um ser vivo? Tens respeitado a vida? Sou eu o único responsável pelo teu desespero?

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Um irrespirável Confina-Mesmo

Um ano depois estávamos cansados de olhar o mundo através de janelas e ecrãs…

Há umas semanas dei por mim a pensar como tem sido mais difícil este confinamento face ao primeiro, entre Março e Maio de 2020. “Viciada” num pensar psicanalítico, procurei encontrar imagens e palavras dentro de mim que pudessem construir um retrato do meu interior, sinalizando também aquilo que na realidade externa o tinha alterado. Na psicanálise, as imagens internas ajudam-nos não só a encontrar palavras e sentidos para descrever realidades psíquicas, mas também nos conduzem a uma melhor perceção da realidade externa, sejam acontecimentos da realidade, seja a relação com o outro exterior a nós. Noutras palavras, é a contratransferência que nos permite compreender as pinceladas da nossa realidade emocional, desenhadas em conjunto com o outro.

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Uma valsa a Dois Tempos: depois do Inverno virá sempre a Primavera

Jacques Brel cantava La Valse à Mille Temps (1959). Entoava amorosamente os vários compassos da vida.

Hoje parece que dançamos uma valsa a dois tempos: um compasso de tempo perdido e um outro onde a vida se mantém, desenvolve, irremediavelmente ininterrupta. 

A solidariedade, como o amor, como muitas outras vivências emocionais humanas, não é necessariamente espontânea. A grande percentagem é aprendida, criada, desenvolvida. Não no sentido hipócrita ou falso, mas porque se radica no conhecimento de nós próprios e dos outros ao longo das situações que a vida nos propõe. E na descoberta de que as experiências de uns pertencem em larga medida às dos outros porque partilhamos algo comum que é sermos humanos.

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