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Ser Velho neste Novo Tempo

A pandemia deixou-nos menos capazes de exprimir emoções, mais fechados sobre nós próprios? O medo subiu de tom, ao vermos um vírus mudar drasticamente as nossas vidas.

Ao mesmo tempo, penso que a distância e o isolamento social nos confrontaram com a saudade e a necessidade dos outros. De os ver, tocar, abraçar de lhes dizer a importância que têm para nós e o que sentimos por eles.

Todas as idades enfrentaram desafios, mas foram os idosos quem mais foi violentado psiquicamente, ao sofreram com o isolamento e ao verem discutido o valor da sua vida. A ideia de haver vidas que valem mais do que outras é indescritível. As notícias trouxeram-nos esta questão, que angustiou todos, pelo medo do que pudesse acontecer com cada um de nós, os que somos velhos e com cada um de nós, sobre os nossos velhos. Todos temos pais, tios, avós, e somente a ideia de os perder deixa-nos inexoravelmente mais pobres.

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Setembro

“Summer has come and passed
The innocent can never last
Wake me up when September ends”

Billie Joe Armstrong dos “Green Day”

Em setembro, muitas pessoas vivem o fim das férias com tristeza. E mesmo nesta época, em que as férias sofreram o impacto da pandemia, com todas as ansiedades e restrições associadas, isso também aconteceu. 

Quem me falou, em primeiro lugar, desta tristeza foi uma pessoa que não saiu do seu local habitual de vida, portanto não está a regressar, com pena, de lugares fantásticos. O que o entristece, no setembro do recomeço, é a experiência da despedida.

Do que nos despedimos, no final do Verão?

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História para crianças (e não só)

Um dos momentos mais divertidos do meu dia é contar histórias aos meus filhos de 2 e 4 anos, pequenos super-heróis à procura de sonhos em tempos de pandemia. Uma destas histórias que me encantou foi “ O coelho que sabia ouvir” de Cori Doerrfeld, finalista do Goodreads Choice Awards. É a história do Tito, um menino que se encontra com um coelho silencioso, que sabe “ouvir” todas as suas palavras e emoções. Com a sua presença silenciosa, o coelho acompanha o Tito na superação da perda até ao reencontro da esperança e da reparação. 

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Um Bem de primeira necessidade

That is part of the beauty of all literature. You discover that your longings are universal longings, that you’re not lonely and isolated from anyone. You belong.

F. Scott Fitzgerald

Preâmbulo 

De entre as medidas restritivas impostas durante o estado de emergência incluiu-se a suspensão do comércio a retalho, com excepção das lojas de bens de primeira necessidade. A ministra considerou os livros como um bem de primeira necessidade e as livrarias puderam permanecer abertas desde que vedado o acesso dos clientes ao seu interior, com venda dos produtos à porta, ao postigo, ou entrega em casa. Considerou também a ministra que não existe o costume de vender livros à porta das livrarias e ainda menos por um postigo. A 4 de Maio,  após 45 dias de estado de emergência, as livrarias reabrem. 

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