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Freud na Netflix

Netflix estreou no dia 30 de Março uma série (8 episódios) que intitulou Freud. Com custo, consegui ver três episódios.

Escrever uma nota sobre uma série que não se viu pode parecer ousado e até desonesto e hesitei muito em partilhar o meu ponto de vista.

A série pretende descrever o ambiente finissecular de Viena e, para isso, amalgama uma série de dados, com um fundo histórico (mas, manipulados como, por exemplo, fazer conviver Shinetzler e Freud, que nunca se conheceram, embora se admirassem e partilhassem muitos pontos de vista sobre o homem) ficcionando-os para construir um thriller que possa prender os consumidores desse género de produtos. 

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Luz desviada: A Bovarinha

Agustina Bessa Luís terá revisitado Madame Bovary (Flaubert), por sugestão de Manoel de Oliveira. A escritora acedeu ao pedido do cineasta, ressuscitando Emma e Charles, personagens essenciais da trama de Flaubert – figuras que, pela pena de Bessa Luís, se converteram em Ema e Carlos. Vale Abraão viu a luz em 1991, resultando deste cruzamento feliz. Escassos anos após a publicação da obra, Manoel de Oliveira adaptou-a ao cinema. Tal era o seu propósito quando desafiara a autora!

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Saberei (con)viver com aqueles que (des)amo? Que impactos estão a surgir nos casais e nas famílias?

Viver e sonhar num mesmo espaço compartilhado física e emocionalmente de um dia para o outro, 24 horas seguidas sem interrupção, é o novo desafio inquietante das famílias que se confrontam numa coabitação forçada: onde o tempo é continuo; onde o tempo de lazer, de convívio e de trabalho se intercomunicam; onde se pode confundir o espaço individual com o coletivo; e onde o íntimo com o privado e ainda o público se combinam…se atropelam…

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Um escritor não morre nunca

O humano acariciou o lombo do gato /- Bem, gato, conseguimos – disse suspirando / – Sim, à beira do vazio compreendeu o mais importante – miou Zorbas / – Ah, sim? E o que é que ela compreendeu? – perguntou o humano/ – Que só voa quem se atreve a fazê-lo – miou Zorbas.

História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar, Luis Sepúlveda

O dia amanheceu cinzento e triste com a notícia da morte de Luis Sepúlveda. 

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O ÓBVIO REAL

José Miguel Wisnik, professor, ensaísta e compositor, termina o seu artigo de opinião publicado no jornal Folha de São Paulo do dia 20 de Março com as seguintes palavras:

“…o real é o poder da realidade quando envolve a todos de maneira incontornável. Real é aquilo que não dá para não ver, mesmo que seja invisível, como um vírus.”

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Os nossos apartamentos

SINAIS, a crónica de Fernando Alves, fez hoje pela manhã chegar às nossas casas a espuma dos dias em que navegamos. Falou ele dos velhos e do apartamento a que estão confinados. Escutei, memórias ainda frescas, as palavras de indignação que fui lendo e ouvindo durante a semana, por aqui e por ali, a respeito dos velhos que teimam em ir aos jardins, em procurar os amigos das jogatinas, sentar-se nos bancos (que agora estão vedados com fitas de bloqueio) ou passear por seis vezes até ao supermercado em vez da vez que lhes está destinada e que, assim, se infectam e nos infectam. Apartamento, dizia homem da rádio, buscando-lhe a etimologia: apartar, deixar de fora, excluir. Dizia também velhos e não idosos, que lembra leprosos. O homem da rádio, de uma Telefonia Sem Fios, procura diariamente os sinais da nossa humanidade e manter-nos ligados ao mais essencial, ao que a peste nos pode fazer perder ou esquecer, ao que fomos já apartando das nossas vidas mesmo antes de ela chegar, à nossa doença colectiva. 

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