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After life

“After Life” (Netflix, 6 episódios), por Ricky Gervais, aborda a dor e a alegria, a esperança, a fraqueza tornada força, e o poder reparador e transformador da relação com o outro. Questiona, de forma brutal, qual o lugar do humano. 

“Vida depois da Morte” fala da ressuscitação emocional de um homem (Tony) em depressão após a morte da sua mulher com cancro, da sua dor intolerável, e do morrer por dentro… com humor desconcertante.

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Cowap – O corpo feminino da Psicanálise

O Women and Psychoanalysis Comitee (COWAP) faz parte dos comités da IPA e é um dos mais antigos e mais dinâmicos. Criado em 1998 com o intuito de explorar os temas ligados às mulheres, em 2001 ampliou o seu campo, estendendo-se a todos os aspetos do masculino, do feminino e da relação entre eles.

O grupo procura não só um questionamento e elaboração de alguns pontos da teoria psicanalítica e sua consequente revisão e aplicação na prática clínica, mas também a sua aplicação no corpo social.

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Finalmente a intuição sai à rua

Quando vamos investigar o conceito de intuição na literatura psicanalítica rapidamente nos encontramos no deserto. Isto é, Freud (1933) exclui a intuição da sua metapsicologia, referindo: “Do ponto de vista do método, a filosofia afasta-se híper-estimando o valor cognitivo das nossas operações lógicas, admitindo outras fontes de conhecimento, tais como por exemplo a intuição”. Mas Freud não excluiu a intuição do seu modo de pensar referindo em “Psicanálise e teoria da libido” (1923) que o médico analista se comporta de maneira mais apropriada se ele se abandona a ele próprio,   nada quer fixar na sua memória e  capta o inconsciente do paciente com o seu próprio inconsciente. 

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Os fantasmas bons

“I was walking down the road with two friends when the sun set; suddenly, the sky turned as red as blood. I stopped and leaned against the fence, feeling unspeakably tired. Tongues of fire and blood stretched over the bluish black fjord. My friends went on walking, while I lagged behind, shivering with fear. Then I heard the enormous, infinite scream of nature”

– Edvard Munch, O grito

Nos últimos meses perdi três amigos, a minha querida cadela e dois queridos humanos. Como noutros momentos, estou diante do que fazer com o que (me) aconteceu. Conheço o lugar, mas é sempre a primeira vez.  Como um bicho de conta que se encolhe e se alonga, em movimentos vagarosos, continuo a responder à realidade que diariamente me chama, mas peço-lhe que tolere com paciência o momento do recolhimento para que não tenha de sair deste lugar tão depressa. Sei, lá no fundo, que esse momento virá, mas por enquanto quero adiá-lo. O perpétuo movimento do que gira e avança traz-me tormenta e irritação. Como pode o mundo esquecer tão depressa? Estou num lugar do meio. Preciso de puxar o horizonte para trás até ao exacto momento onde o deixámos ontem, lembrar o rosto, as expressões, os traços, os gestos, as palavras, as coisas pequenas, para ficar mais um pouco com quem partiu. Vivo na carne a travessia do exterior para o interior. Sinto-me a edificar a casa interna onde o outro permanecerá comigo em mim e quero dedicar-lhe todo o vagar e atenção. Receio que se percam detalhes pelo caminho. Tenho medo de esquecer. Quero lembrar. Ouço-me a dizer os seus nomes vezes sem conta como que a trazê-los de novo à vida. Preciso sentir o meu corpo em contacto e a ausência a trazer lágrimas. Não quero que me ofereçam lenços nem palavras, nem que me consolem. Quero ficar perto do grito e do momento do desabamento. Quero ser habitada por fantasmas e peço à noite e ao sonho que os tragam. São fantasmas bons. Quero dar-lhes morada, registá-los, escrevê-los.

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