Comissão de Ensino

I – A FORMAÇÃO PSICANALÍTICA

A formação psicanalítica da SPP rege-se pelas normas que correspondem aos requisitos da IPA, relativamente ao modelo francês de formação.

É uma formação tri-partida que compreende:

  • Psicanálise pessoal;
  • Formação teórica (seminários obrigatórios, cursos, colóquios e conferências sobre a teoria, a clínica e a prática psicanalíticas);
  • Supervisão de casos de análise.

II – SELECÇÃO E ADMISSÃO DOS CANDIDATOS À FORMAÇÃO DE PSICANALISTAS

  1. Pré-requisitos

Os pré-requisitos exigidos para iniciar o procedimento de admissão como candidato à Formação de Psicanalistas são:

  1. Os pretendentes a uma formação psicanalítica devem ter de preferência o diploma do curso de Medicina ou de Psicologia e uma experiência clínica obrigatória na área da saúde mental, de pelo menos um ano, devidamente documentada e creditada por entidades reconhecidas;
  2. Não podem ter menos de vinte e cinco anos;
  3. É exigida uma análise pessoal realizada com um membro da SPP, titular ou associado, que deverá ocorrer com uma frequência mínima de três sessões semanais, prolongando-se cada sessão entre 45 a 50 minutos, por um período superior a dois anos.

Os membros associados que pretendam que as análises, por si efectuadas, sejam reconhecidas para efeitos de formação devem apresentar a sua candidatura à CE para ser apreciada e cumprir os seguintes critérios:

  • Ser membro associado há, pelo menos, quatro anos;
  • Ter uma prática psicanalítica, desejavelmente não inferior a cerca de vinte e cinco horas semanais;
  • Ter actividade de formação no âmbito da SPP e currículo psicanalítico;
  • Participar de forma regular nas actividades da SPP.

Os respectivos analisandos só poderão apresentar a candidatura à formação após um ano da atribuição dessa função ao seu analista.

  1. Processo de candidatura

O pedido de candidatura deve ser acompanhado duma carta de motivação em que seja explicitado a influência do interesse pela psicanálise no respectivo percurso profissional, do curriculum vitae e da declaração escrita pelo analista comprovativa da psicanálise do requerente, nos termos acima referidos.

Os pedidos poderão ser enviados até ao prazo limite de 31 de Maio de cada ano.

As entrevistas de avaliação dos candidatos à formação são precedidas duma pré-selecção efectuada pela CE e serão realizadas ao longo do ano.

As entrevistas de avaliação são conduzidas por três analistas da Comissão de Ensino Alargada (CEA), constituída por todos os membros titulares com funções didácticas.

Nenhum dos analistas poderá prescindir do seu dever de entrevistar os candidatos. Os analistas que tenham conhecimento pessoal do candidato não poderão fazer parte dos avaliadores.

As entrevistas de admissão dos candidatos avaliarão a qualidade do seu processo analítico, nomeadamente a dinâmica dos conteúdos inconscientes, flexibilidade do funcionamento mental, neurose infantil, complexo de édipo, introjecção da função analítica.

Serão ainda considerados os seguintes critérios:

  • Interesse e atitude face à Psicanálise;
  • Capacidade de insight;
  • Estabilidade e continuidade nas opções profissionais e pessoais;
  • Tolerância à dor psíquica e à mudança psíquica;
  • Atitude face à transferência;
  • Compreensão dos processos do inconsciente;
  • Ausência de clivagens ou projecções maciças;
  • Ausência de tendência excessiva ao agir;
  • Contra – atitude do entrevistador;
  • Outras observações;
  • Conclusão.

Concluídas as entrevistas aos candidatos à formação, a CEA reúne especificamente para apreciação das candidaturas, devendo a decisão final ser tomada por maioria. Em caso de dúvida ou empate, poderá ser marcada uma entrevista suplementar. As candidaturas aceites serão submetidas à direcção da SPP e posterior ratificação pela Assembleia Geral, de acordo com os seus estatutos.

É definido o início de cada ano lectivo como a época única para admissão dos candidatos.

Os candidatos deverão ser devidamente informados da sua avaliação. Se o candidato não for admitido, poderá voltar a candidatar-se em anos seguintes.

É de ressaltar que a aceitação inicial como candidato não garante o seu ingresso definitivo na carreira de psicanalista. Nas diferentes etapas da formação e durante as supervisões podem aparecer dificuldades, impossíveis de prever na fase de selecção, que podem interferir com a capacidade analítica e mesmo serem prejudiciais ao candidato a psicanalista, se esse viesse a exercer a psicanálise.

De acordo com os seus Estatutos, não há reconhecimento automático pela SPP das qualificações obtidas noutra sociedade de psicanálise. Um candidato proveniente de outra sociedade da IPA, só poderá ser aceite pela SPP depois de consultada a Sociedade Psicanalítica de origem e realizadas entrevistas com membros da CE.

III – A FORMAÇÃO PSICANALÍTICA DOS CANDIDATOS

A SPP, em colaboração com a CE e com os seus Institutos, apresenta, todos os anos lectivos, um programa anual de seminários e de actividades científicas de formato diverso, à disposição dos candidatos.

O candidato, após o ter sido aceite pela CE, deverá, para que a sua formação seja completa, participar nas seguintes componentes formativas:

Formação teórica

A formação psicanalítica teórica é feita através de seminários onde se discute, analisa e ensina a teoria, a técnica e a prática analítica. Esses seminários são:

  • Seminários Obrigatórios: Seminários Teóricos de Base; Teoria da Técnica Psicanalítica e Clínica I, II, III; Teoria da Relação de Objecto; Seminário de Ética; Seminário Clínico de Discussão de Casos.
  • Seminários Temáticos Opcionais (de acordo com o programa anual de formação).

Para cada seminário, é proposta uma bibliografia extensa e actualizada.

São normas gerais desta fase de formação:

  • Ter a duração mínima de quatro anos e máxima de sete anos;
  • A frequência dos seminários ser obrigatória, com uma assiduidade mínima de 2/3 das presenças;

Esta fase de formação considera-se concluída quando o candidato tiver terminado todos os seminários obrigatórios e os seminários opcionais propostos pelos Institutos, de acordo com o programa anual;

Os candidatos deverão, para cada seminário, preencher uma ficha de avaliação referente à orientação do mesmo. Esta ficha é anónima relativamente ao candidato;

Haverá anualmente uma reunião dos Presidentes dos Institutos e da CE com os candidatos para avaliação do ano lectivo;

Haverá anualmente uma reunião dos orientadores dos seminários com a CE para apreciação do desempenho e progressão dos candidatos;

Todos os seminários podem ser frequentados por qualquer sócio da SPP, desde que seja paga a respectiva quota de inscrição.

Psicanálise sob supervisão

Cada candidato deve efectuar, a supervisão de, pelo menos, dois casos de análise de pacientes, de preferência de cada um dos sexos, com um analista titular com funções didácticas. Nenhum candidato se pode apresentar a membro associado se não tiver duas supervisões validadas pelos seus supervisores.

Em alguns casos poderá ser exigida uma terceira supervisão. Não são aceites para a formação supervisões efectuadas pelo próprio analista do candidato.

As supervisões válidas para a formação deverão ser realizadas uma vez por semana. Os casos de análise aceites para supervisão terão obrigatoriamente um ritmo de, pelo menos, três a quatro sessões semanais, no quadro analítico clássico. Em algumas situações, devidamente justificadas, poderá a supervisão ser quinzenal no decorrer do 3º ano. O supervisor poderá, em qualquer momento da supervisão, considerar que o caso não é válido para a formação ulterior do candidato.

As supervisões de cada caso devem-se prolongar de maneira a que se perceba a evolução e as transformações psíquicas do paciente e centrar-se na escuta analítica do paciente e do supervisando, bem como na evolução deste. As supervisões não podem ser validadas para a formação se tiverem uma duração inferior a três anos ou a 150h efectivas.

Terminada a supervisão, os supervisores enviarão aos membros da CE um relatório detalhado sobre a capacidade psicanalítica de cada candidato, acompanhado do relatório final da supervisão elaborado pelo candidato. A validação será discutida pelos supervisores do candidato e ratificada pela CE.

O ciclo de formação está terminado quando os candidatos tiverem a sua formação teórica completa e as duas ou três supervisões de casos clínicos validadas.

As pessoas que se encontram em formação psicanalítica não se podem intitular psicanalistas enquanto não tiverem alcançado a posição de membro associado da SPP.

Todas as situações não contempladas nas alíneas anteriores serão resolvidas pontualmente pela CE.

Composição (Quadriénio 2016-2019):
Mª José Gonçalves – Presidente
Carlos Farate
Cristina Fabião
Emílio Salgueiro
João Seabra Diniz
Luísa Vicente
Rui Aragão Oliveira