Comissão de Ensino

A Formação Psicanalítica

A formação na Sociedade Portuguesa de Psicanálise (SPP) segue os estatutos da SPP e as regras fundamentais da Associação Psicanalítica Internacional (IPA). A Comissão de Ensino (CE) é o órgão da SPP responsável pelas Actividades de Formação.

Objectivos da Formação

O objectivo é o ensino da psicanálise e a formação dos psicanalistas em Portugal. A formação pretende desenvolver no candidato uma compreensão fundamental da teoria, técnica e clínica psicanalítica, uma capacidade de estabelecer um compromisso terapêutico responsável e de qualidade e, habilitar o candidato à prática especializada da psicanálise.

A formação psicanalítica ministrada pela SPP tem a creditação da IPA, pelo que os seus membros efectivos são simultaneamente membros da IPA.

A formação psicanalítica é organizada de acordo com um modelo tripartido:

  • Psicanálise pessoal.
  • Seminários, cursos, colóquios e conferências sobre a teoria clínica e a prática psicanalítica.
  • Supervisão de pacientes que têm indicações para Psicanálise.

Selecção e Admissão de Candidatos

Pré-requisitos:
a) Os pretendentes a uma formação psicanalítica devem ter de preferência o diploma do curso de Medicina ou de Psicologia e uma experiência clínica obrigatória na área de saúde mental, devidamente documentada, de pelo menos um ano;

b) Não podem ter menos de vinte e cinco anos;

c) Exige-se uma análise pessoal com um Membro da SPP, que deverá ocorrer com uma frequência mínima de três vezes por semana, prolongando-se cada sessão entre 45 a 50 minutos.

Procedimentos de Candidatura:
a) Todos os interessados que preenchem os pré-requisitos, devem dirigir a sua candidatura à Presidente da Comissão de Ensino através uma carta introdutória motivacional, acompanhada de um Curriculum Vitae actualizado e uma declaração do psicanalista do candidato relativa à duração e frequência da análise pessoal. É definida uma época única para admissão dos candidatos, no início de cada ano lectivo. As entrevistas de avaliação serão conduzidas por três analistas com funções didácticas e poderão ser realizadas ao longo do ano. Em Maio/ Junho de cada ano há uma reunião da Comissão de Ensino alargada a todos os membros didactas, para discussão e avaliação das candidaturas, devendo a decisão final ser tomada por maioria qualificada e comunicada ao candidato por escrito. Se a candidatura não for aceite o Candidato poderá apresentar-se a novas entrevistas para o mesmo fim, um ano depois.

b) Os analistas que tenham conhecimento anterior pessoal do candidato não poderão fazer parte dos avaliadores.

c) Um candidato de uma sociedade de psicanálise estrangeira apenas será aceite pela SPP depois de consultada a Sociedade Psicanalítica do seu país de origem, na condição de esta ser uma sociedade componente da API.

Processo de Formação

Após o candidato ter sido aceite pela CE deverá participar nas seguintes componentes formativas.

  • Os Seminários que constam no programa de formação e de acordo com a carga horária e o calendário propostos.
  • Psicanálise sob supervisão – Cada Candidato deve efectuar, pelo menos, duas análises, a um ritmo de pelo menos três a quatro sessões semanais e sob supervisão. As supervisões deverão ser realizadas uma vez por semana durante pelo menos três anos por um analista com funções didácticas.
  • Em algumas situações, devidamente justificadas, poderá a supervisão ser quinzenal no decorrer do 3º ano. O supervisor poderá, em qualquer momento da supervisão, considerar que o caso não é válido para a formação ulterior do Candidato. Em alguns casos poderá ser exigido uma terceira supervisão.
  • O ciclo de formação está terminado quando os candidatos tiverem a sua formação teórica e clínica completa e as supervisões de dois casos clínicos validadas.

Qualificação como Psicanalista

Só se podem intitular como psicanalistas, os sócios da SPP que tiverem alcançado a posição de Membro Associado da SPP.

Para a qualificação como Membro Associado, o Candidato com duas supervisões validadas e a formação teórica completa terá de apresentar um trabalho de uma Memória Descritiva de um caso de psicanálise que será discutida e deverá ser aprovada pela CE.

Quando o candidato se julga capaz de passar a Membro Associado deverá:

a) Informar a CE da sua intenção de apresentar a memória para ser aceite como Membro Associado, acompanhada da apresentação dum resumo. A CE, tendo em conta o percurso e as qualidades analíticas do candidato, poderá ou não dar uma resposta positiva.

b) Fornecer a recomendação escrita dos supervisores que aprovam a apresentação de um trabalho para membro associado. Juntar a esta recomendação um curriculum analítico, assim como a declaração do término do curso teórico dos respectivos institutos.

c) Após o parecer positivo da CE, o Candidato deve redigir uma memória onde é descrito um caso de análise, que deverá ter um mínimo de quatro anos de evolução, à razão mínima de três a quatro vezes por semana.

Formação de Psicanalistas de Crianças e de Adolescentes

A qualificação para Psicanalista da Criança e do Adolescente é feita nos Institutos da SPP. A candidatura é reservada a Membros da Sociedade Portuguesa de Psicanálise ou Candidatos que estejam numa fase adiantada da preparação da sua Memória. Esta Formação, pressupõe um conjunto de Seminários Teóricos e Clínicos, assim como o seguimento em psicanálise de duas Crianças/Adolescentes (2-5, 6-12, 13-17 anos) e supervisão semanal com um Psicanalista Didacta de Crianças e Adolescentes. Para a conclusão da Formação será necessária a apresentação de um Relatório sobre um dos casos de Psicanálise da Criança ou do Adolescente.

A qualificação para Psicanalistas da Criança e do Adolescente tem a certificação do Committee of the Child and Adolescent Psychoanalysis (COCAP) da IPA.

Composição (Quadriénio 2016-2019):
Mª José Gonçalves – Presidente
Carlos Farate
Cristina Fabião
Emílio Salgueiro
João Seabra Diniz
Luísa Vicente
Rui Aragão Oliveira